Por Surama Chaul
Na manhã desta terça-feira o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, foram presos acusados de matarem a vereadora Marielle Santos e o motorista Anderson Gomes no dia 14 de março de 2018. Lessa é acusado de ter atirado na parlamentar e Elcio, de ter dirigido o carro na ocasião.
Daqui a dois dias completa um ano do crime e muitas perguntas ainda estão sem respostas, entre elas, quem mandou matar a vereadora e por qual motivação. Segundo a Delegacia de Homicídios, respostas que devem ser dadas na segunda etapa da investigação.
É o que se pergunta a sociedade civil, a família e amigos de Marielle. Pedro Strozenberg é ouvidor da Defensoria Pública do Estado do Rio e era amigo de Marielle. Se conheciam desde 2006 e trabalharam juntos na primeira campanha de Marcelo Freixo e na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Para ele essa é uma pergunta crucial porque a vereadora não defendia nenhuma causa que pudesse ameaçar milícias como o Escritório do Crime, de onde os acusados fazem parte.
“Para nós, enquanto amigos e sociedade civil é um alento essas prisões, mas está longe de ser um sentimento de que a justiça está sendo feita. Precisamos saber quem matou e por qual motivo. Foi um crime muito bem planejado e executado, complexo de resolver. Marielle foi a segunda vereadora mais votada, era uma pessoa pública de muita projeção, ela poderia ser um novo vento na política e foi assassinada no início da intervenção federal no Rio, mas não parecia ser uma ameaça para milicianos e nem estava sendo ameaçada”, diz Pedro.
Segundo ele se Marielle estivesse sendo ameaçada ela teria falado com alguém, teria tomado alguma providência. “Marielle era uma mulher muito intensa, fazia tudo ao mesmo tempo e agora, era de resolver, não deixaria uma ameaça passar em branco mesmo que não tivesse levado a sério. Tinha ideias ousadas e era muito determinada, teria levado uma ameaça adiante”, defende ele.
Pedro diz que a Defensoria Pública acompanhou de perto as investigações atuando como assistente de acusação das famílias, mas que tiveram acesso apenas aos procedimentos e não às informações do que estava sendo feito. “O maior desafio é que não tinha ponto de partida para a investigação, ninguém sabe quando e por qual motivo esse crime aconteceu. Até hoje nenhum de nós consegue imaginar com clareza a motivação. Foi um crime com riqueza de detalhes para sua execução e muito dinheiro envolvido”, questiona Pedro.
Na próxima quinta completa um ano das mortes. Sobre isso Pedro acha que houve uma decisão política na escolha desta data para deflagrar as prisões da Operação Lume. Sobre um dos acusados morar num condomínio de luxo, o mesmo inclusive, onde o presidente da República Jair Bolsonaro tem uma casa, Pedro comenta: “Isso prova que riqueza e pobreza não são parâmetros para quem é ou não violento. Num condomínio de luxo vivem pessoas como essa (que matou Marielle) e o quanto o dinheiro e as corporações acabam protegendo esses sujeitos”, declara.


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