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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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Operação Inverno: limpeza e drenagem das águas pluviais para redução de impactos

Operação Inverno: limpeza e drenagem das águas pluviais para redução de impactos

Os dias do mecânico aposentado João de Souza, 59, morador do bairro Santa Inês, tem sido dedicados a duas situações: cuidar do bosque que implantou em sua casa às margens do Igarapé do Almoço e manter limpa as margens do riacho. O cuidado com as árvores que cultiva ao longo dos últimos doze anos segue diuturno mas a limpeza das margens do Almoço ganhou reforço de homens do 4º Batalhão de Infantaria de Selva, Corpo de Bombeiros e da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Rio Branco (SEMSUR). Desde o dia 3 de dezembro último, um contingente de mais de 40 homens e mulheres executam uma lenta, extenuante e necessária limpeza do riacho que nasce no antigo bairro da Corrente e segue cortando várias localidades até desaguar no Igarapé Judia.

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A limpeza do Igarapé do Almoço integra a complexa busca por alternativas de mitigação dos efeitos do rigoroso inverno que pelo recado enviado em 2018 com temporais tecnicamente conhecidos como ´chuvas de convectividade´, ameaçam, por força das mudanças climáticas e das ações humanas no ambiente, tornar a vida do rio-branquense um aborrecimento atrás de outro com enxurradas, quintais e residências inundados e prejuízos incontáveis. Decorrente das altas temperaturas, a chuva de convectividade, segundo especialistas, geralmente precipita durante as tardes. São chuvas rápidas que podem ser seguidas de temporais.

Com os canais e igarapés tomados pelo lixo e todo tipo de entulho, as chuvas concentradas elevam rapidamente o nível desses riachos, provocando transbordamentos que resultam em sérios transtornos replicados, em muitos casos, pelo entupimento da rede drenagem. Bueiras estouram e tornam visíveis o problema gerado pelo descarte inadequado dos resíduos sólidos. “Eu não jogo nada na beira do igarapé. Prefiro queimar o lixo a deixá-lo aqui nas margens”, disse o mecânico João de Souza, do Santa Inês, bairro esporadicamente afetado pelas enxurradas. Junto com dona Maximiniana Alves da Silva e Deuza Braga de Souza, moradoras da Travessa Sidney, também no bairro Santa Inês, João de Souza traça exemplos de cidadania ante aos problemas que afligem a coletividade.

Maximiniana mora há doze anos na Travessa Sidney, distante uns 200 metros da casa de João de Souza, e ao seu modo simples e empírico, traça uma compreensão exata de destinação adequada do lixo ao se recusar jogar entulho nas margens do igarapé que passa próximo da casa. “O pessoal joga muito lixo lá mas nós aqui não”, relata ela, que recebeu apoio do coronel George Santos, chefe da Defesa Civil de Rio Branco, para corte programado de uma árvore e destinação de entulhos removidos dos quintais da Travessa Sidney. “Somente eu e minha vizinha retiramos este ano 50 carcaças de televisores daqui do igarapé”, afirmou dona Deuza Braga, que nesta quinta-feira, 13, abriu os portões de seu quintal para acesso dos homens e máquinas do Exército e SEMSUR trabalharem à jusante do Igarapé do Almoço. “As pessoas tem de ter consciência e não jogar nada no igarapé”, pedem, uníssonos, João de Souza, Deuza Braga e dona Maximiniana.

Sem saber, o trio faz coro à 1ª frase das placas de alerta contra a poluição dos igarapé: “NÃO JOGUE LIXO”. Pelo menos 50 placas com esses dizeres, despertando a comunidade contra o lançamento de lixo e entulho nos igarapés que cortam a zona urbana da capital, estão sendo instaladas pela Prefeitura de Fio Branco e seus parceiros. A ação, mais um desdobramento da Operação Inverno, lançado pela prefeita Socorro Neri no dia 12 de dezembro pelo agora límpido Igarapé do Almoço.

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Neri determinou estudo minucioso para atacar o problema de frente

Até o poder público alcançar as pessoas com a Operação Inverno construiu-se primeiro um criterioso plano de ação que leva em conta série de variáveis, especialmente, conforme já citado, a questão climática. “Os registros históricos de precipitação na Cidade de Rio Branco indicam que 76% da chuvas na capital do estado ocorrem no período de novembro a abril, tornando-a, nesse período, mais vulnerável a eventos hidrológicos extremos como os alagamento, inundações, enxurradas e escorregamentos de massa”, diz o relatório montado pelo grupo de trabalho que deu origem à Operação Inverno.

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“Os alagamentos urbanos ocorrem quando grande quantidade de chuva precipita em um curto espaço de tempo, ocasionando a sobrecarga na rede de drenagem de nossa capital. Outro fator que colabora para a ocorrência de alagamento urbanos é a grande quantidade de resíduos sólidos dispensados na via pública que findam por obstruir a rede de drenagem quando acontecem as chuvas. Os processos de enxurradas ocorrem a partir de eventos extremos de precipitação (chuva). Os níveis dos igarapés elevam-se de maneira muito rápida, extrapolando a sua calha principal e atingindo edificações localizadas em suas margens”, completa o relatório.

Nesse contexto, as ações de desobstrução das redes de drenagem de águas pluviais, bem como da limpeza e retirada de entulhos dos igarapés contribuem para a atenuação dos impactos negativos das chuvas na infraestrutura urbana da cidade de Rio Branco, que ocasiona problemas na mobilidade urbana no transporte, no trânsito e no deslocamento das pessoas, bem como a invasão da água em edificações –sejam residências, ou estabelecimentos comerciais, incluindo aí a submersão de trechos de vias públicas. O planejamento da Operação Inverno demanda o trabalho de três engenheiros civis da Secretaria Municipal de Obras Públicas e EMURB. “De tão minucioso é um trabalho lento. Uma das maiores ações já realizadas nesse sentido”, observou Wille das Neves, diretor de Limpeza Pública da SEMSUR.

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Madeira velha, PET, resíduos de oficinas: estopins de uma bomba que só o poder público não é capaz de desativar

O trabalho de remoção de lixo e entulhos nos igarapés traz resultados assustadores: em dez dias cerca de 40 metros cúbicos de resíduos já foram retirados do Igarapé do Almoço. Na terceira semana de dezembro, a Operação Inverno chega ao Igarapé Judia, que recebe as águas do Almoço, agora muita menos poluídas. “O rio está desobstruído e as águas correm com mais fluidez”, disse o coronel George Santos, da Defesa Civil de Rio Branco.

Contudo, não são apenas os canais que padecem de tanta sujeira. Resíduos de todo tipo vem sendo encontrados e retirados da rede de drenagem, obstruindo a passagem da água. Essas obstruções são muito visíveis nos dias de forte chuva em pontos já conhecidos da população, como a região do Clube Juventus, na Avenida Getúlio Vargas. Na última quinta-feira, 13, um pequeno monte de madeira velha foi retirado dos tubos pelos homens e máquinas da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (EMURB).

“Estes resíduos foram retirados hoje,(13/12) e o trecho está sendo controlado há dias. Este tipo de material, aliado a plásticos e outros objetos obstruem o fluxo dos sistemas, causando o represamento das águas ao longo das vias e demais logradouros”, explicou o presidente da EMURB, Marco Antônio Rodrigues.

De fato, as imagens assustam: oficinas lançam resíduo oleoso na tubulação, material tido como estopim de eternos transtornos. “Esse tipo de resíduo não sai nunca mais”, afirma Paola Daniel, secretária de Meio Ambiente de Rio Branco, cuja política é um dos pilares da Operação Inverno 2018/2019.

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Entenda a Operação Inverno 2018

A série de enxurradas que vinha afligindo a cidade de Rio Branco preocupou a prefeita Socorro Neri. Ela reuniu os secretários e assessores e solicitou um plano de mitigação dos efeitos do inverno que se iniciou tão rigoroso no Estado do Acre. No Vale do Rio Juruá, casas ficaram debaixo d ´água e famílias tiveram de ser levadas para abrigos de Cruzeiro do Sul e outras cidades. No Vale do Acre, o Rio Acre não subiu a tal ponto mas as enxurradas assustaram e causaram prejuízos. E muito.

A partir dessa perspectiva, nasceu a Operação Inverno, cujo objetivo é, em sua essência, minimizar os impactos do período chuvoso na infraestrutura urbana de Rio Branco. As ações incluem limpeza e desobstrução da rede de drenagem de águas pluviais da cidade, limpeza dos principais igarapés que cortam a cidade, com ênfase para os igarapés Batista, Amaro, Judia e Almoço. Nas escolas das regiões abrangidas por esses riachos vem sendo realizadas atividades de educação ambiental. As prioridades são trechos da Avenida Getúlio Vargas com a Rua coronel José Galdino (na região da Lua Azul), Praça do Juventus, Rua Farroupilha, no bairro Alegria, Rua João XXIII no bairro Alegria, travessa Vilhena com Rua São Salvador, no bairro da Glória. Todo o calendário vem sendo cumprido à risca pela SEMEIA, Defesa Civil, SEMSUR, EMURB, SEOP, RBTRANS, 4º BIS e Corpo de Bombeiros.

Além da limpeza e desobstrução de córregos e igarapés, a Operação Inverno 2018, tem também o viés da Educação Ambiental, executada pelos agentes da SEMEIA que atuam nas escolas municipais dos bairros abrangidos pela Operação Inverno.

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4º BIS é mão amiga da Operação Inverno

O 4º BIS tem sido realmente gigante colaborador da Prefeitura de Rio Branco. O tenente Vander Gomes é o comandante da Diretoria de Meio Ambiente da corporação e acompanha pessoalmente o andamento da operação. Quando isso não é possível, ele destaca o soldado Francis Arcos da Silva para fazer sua vez. Silva é um dos 25 militares treinados e capacitados pela SEMEIA para ajudar na política de ação ambiental da Operação Inverno. “Mais uma vez o Exército cumpre seu lema nesta parceria: braço forte, mão amiga”, observou o chefe da Defesa Civil de Rio Branco, o coronel do Corpo de Bombeiros George Santos.

São os soldados e operários da SEMSUR os responsáveis pela desobstrução dos igarapés. Enfrentam jornadas perigosas e cansativas para manter limpo o canal, livre de galhos e lixo.

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