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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Operação da PF prende 20 e conduz advogados suspeitos de integrar organização criminosa

Deflagrada nas primeiras horas de quarta-feira, 17, a “Operação Troia”, da Polícia Federal (PF), prendeu 20 pessoas preventivamente e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, além dos 38 de prisão. O órgão conduziu coercitivamente dois advogados suspeitos de serem mensageiros de presos do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e integrarem uma organização criminosa que atua no Acre. A ação foi realizada com o objetivo de desarticular as atividades de uma facção.

De acordo com o órgão federal, as investigações que resultou no trabalho feito ontem iniciaram a partir de diligências da Delegacia de Repressão a Entorpecente (DRE), da Polícia Civil do Acre, feitas em parceria com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP-AC). Ao todo, quase 150 agentes federais, incluindo membros do Comando de Operações Táticas da PF (COT) enviados de Brasília, foram empregados na ação.

A Polícia Federal também apreendeu três armas e uma quantia de drogas que não foi informada. As investigações se estenderam por cerca de um ano e resultou na prisão do presidente, vice-presidente, conselheiros e outros membros da organização criminosa alvo da operação. Segundo o órgão, alguns componentes já estavam presos e outros em liberdade. Entre os crimes praticados estão roubo, furto, assassinato, tráfico de drogas/armas e associação pra organização criminosa.

Responsável por coordenar a operação, o delegado Fares Feghali explicou durante coletiva de imprensa que os advogados conduzidos facilitavam o repasse dos comandos de ataques, julgamentos de membros, sobre a vida e morte, espancamento e assassinato de membros de facções rivais por parte dos chefes da organização alvo. Conforme o apontou o chefe da operação, os juristas conduzidos atuavam como “garotos de recardo” dos clientes que eles faziam defesa.

“Os advogados eram garotos de recado, integravam a organização criminosa. E também vão ser responsabilizados como membros de facção. Somente os advogados e alguns parentes são as pessoas quem têm acesso aos presos do RDD, que estão lá justamente por causa da periculosidade e também para evitar que tenham contato com outros membros. E era justamente isso que os advogados facilitavam para esses presos em regime diferenciado”, declarou o delegado da PF.

Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre (OAB-AC), Erick Venâncio destacou que a lei foi cumprida com a deflagração da operação, mas que os envolvidos têm o direito constitucional de defesa e a presunção de inocência. Ele afirmou ainda que a Ordem foi convidada a acompanhar as diligências feitas durante a quarta-feira e que membros da Comissão de Prerrogativas da entidade estiveram presentes durante as buscas e apreensões nos escritórios.

“A OAB/AC já requereu à Polícia Federal acesso aos autos das investigações e à decisão cautelar e, havendo elementos de prova, encaminhará o caso para apreciação do Tribunal de Ética e Disciplina. A Ordem reitera o seu inarredável compromisso com o devido processo legal e o direito de defesa. Ao mesmo tempo, deixa absolutamente claro que não tolerará em seus quadros qualquer advogado que transija com seus deveres éticos”, enfatizou Venâncio em nota pública.

A “Operação Troia” foi desencadeada pela PF em conjunto com a Delegacia de Repressão a Entorpecente (DRE) e o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Acre (MP-AC). Durante a coletiva, o coordenador adjunto do Gaeco, Bernardo Albano, declarou que o foco do trabalho foram os conselheiros do grupo criminoso e que as ações devem continuar. “Nós conseguimos a responsabilização de alguns conselheiros que estavam presos, que estavam com data prevista para progredir para o semiaberto ainda este ano”.

De acordo com ele, alguns suspeitos foram encontrados e um deles estava foragido com a tornozeleira rompida. “Alguns conselheiros estão recebendo mandado de prisão e isso foi estendido também para lideranças que estavam em liberdade determinando o crime. Na presente data dessa operação, o foragido foi recapturado e recebeu novo mandado de prisão”, finalizou o coordenador adjunto do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do MP-AC.

 

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