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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Operação contra o PCC revela “bancos paralelos”, fintechs e esquema milionário de combustíveis

A força financeira do crime organizado voltou ao centro das investigações das autoridades brasileiras. Na manhã desta quinta-feira (28), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou a Operação Fluxo Oculto, que mira um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e adulteração de combustíveis supostamente ligado ao PCC.

A ofensiva ocorre em quatro estados brasileiros e cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o esquema utilizava fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos e ocultar patrimônio milionário.

As investigações apontam que seis fintechs atuavam como verdadeiros “bancos paralelos” da organização criminosa. Essas estruturas financeiras eram usadas para realizar compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, efetuar pagamentos e movimentar valores ligados ao esquema criminoso.

De acordo com o Ministério Público, os recursos também abasteciam fundos de investimento utilizados para dificultar o rastreamento do dinheiro. Os quatro fundos identificados na investigação possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

Outro foco da operação envolve o desvio de nafta petroquímica, produto derivado do petróleo utilizado legalmente pela indústria química, mas que estaria sendo direcionado ilegalmente para a adulteração de combustíveis.

As apurações revelaram um sistema estruturado de falsificação documental e uso de empresas fantasmas para simular operações comerciais. Segundo os investigadores, companhias eram abertas em diversos estados utilizando parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como “laranjas”.

Na prática, os solventes tinham destino diferente do declarado oficialmente e acabavam abastecendo postos e distribuidoras na Grande São Paulo, alimentando um mercado clandestino altamente lucrativo.

O Gaeco também identificou que os envolvidos utilizavam os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial já descobertos em fases anteriores da Operação Carbono Oculto. Entre as estratégias estavam o uso de fintechs, fundos de investimento e empresas intermediárias para esconder os verdadeiros beneficiários dos negócios.

Segundo o Ministério Público, a nova fase da investigação busca aprofundar a identificação de integrantes do esquema, além de reunir provas sobre crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.

As autoridades afirmam que as estruturas financeiras clandestinas funcionavam como um complexo sistema de circulação de dinheiro ilícito, permitindo que o grupo criminoso movimentasse milhões de reais longe do alcance dos mecanismos tradicionais de fiscalização.

Com informações NDMais

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