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domingo, 5 de julho de 2026
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OMS alerta para presença de superbactéria letal encontrada em águas no Brasil

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificaram a presença da bactéria Acinetobacter baumannii em quatro pontos de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O microrganismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das bactérias mais perigosas do planeta devido à sua alta resistência a antibióticos.

O estudo apontou a presença da superbactéria em áreas do Guaíba e em praias da capital gaúcha. Em um dos locais analisados, a bactéria apresentou resistência total aos medicamentos testados, incluindo antibióticos considerados de última linha.

A pesquisa foi realizada por meio dos projetos ClimaRes WaSH e CLIMASANO, que investigam impactos ambientais e riscos à saúde pública. Entre os pontos analisados estão a praia do Lami, a praia de Ipanema e dois trechos do Guaíba: nas proximidades da foz do Arroio Dilúvio e da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP) Menino Deus.

Segundo os pesquisadores, o caso mais preocupante foi registrado na região da EBAP Menino Deus, onde a bactéria se mostrou resistente a 14 tipos diferentes de antibióticos, incluindo imipenem, meropenem e ciprofloxacino.

A OMS classifica a Acinetobacter baumannii como prioridade crítica devido à sua capacidade de desenvolver resistência aos tratamentos disponíveis, tornando infecções hospitalares mais difíceis de controlar e aumentando o risco de mortalidade.

Os cientistas alertam que ambientes aquáticos contaminados podem atuar como reservatórios de genes de resistência bacteriana, facilitando a disseminação de microrganismos capazes de sobreviver aos tratamentos convencionais.

Uma das hipóteses levantadas pela equipe da UFRGS é que resíduos hospitalares estejam sendo descartados inadequadamente na rede de esgoto. Como essa bactéria é frequentemente encontrada em UTIs, especialmente em ambientes hospitalares, o descarte irregular pode contribuir para a contaminação ambiental.

O próximo passo da pesquisa será o sequenciamento genômico das amostras coletadas. O objetivo é identificar se existe relação genética entre a bactéria encontrada nas águas e cepas responsáveis por um surto registrado recentemente na UTI neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre.