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quarta-feira, 1 de julho de 2026
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Obesidade entre crianças e adolescentes aumentou dez vezes em quatro décadas, revela estudo da OMS e Imperial College London

Por Andréia Oliveira

O número de crianças e adolescentes (de cinco a 19 anos) obesos em todo o mundo aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas. Se as tendências atuais continuarem, haverá mais crianças e adolescentes com obesidade do que com desnutrição moderada e grave até 2022, de acordo com um novo estudo liderado pelo Imperial College London e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo foi publicado na revista The Lancet. A publicação analisou as medidas de peso e altura de cerca de 130 milhões de pessoas com mais de cinco anos de idade (31,5 milhões de pessoas entre os cinco e os 19 anos e 97,4 milhões com mais de 20 anos) – o maior número de participantes envolvidos em um estudo epidemiológico. Mais de 1.000 colaboradores participaram do estudo, que avaliou o índice de massa corporal (IMC) e como a obesidade mudou em todo o mundo entre 1975 e 2016.

As taxas de obesidade em crianças e adolescentes em todo o mundo aumentaram de menos de 1% (equivalente a cinco milhões de meninas e seis milhões de meninos) em 1975 para quase 6% em meninas (50 milhões) e quase 8% em meninos (74 milhões) em 2016. Combinado, o número de obesos com idade entre cinco e 19 anos cresceu mais de dez vezes, de 11 milhões em 1975 para 124 milhões em 2016. Outros 213 milhões estavam com sobrepeso em 2016, mas o número caiu abaixo do limiar para a obesidade.

Marketing de alimentos, políticas e o preço por trás do aumento da obesidade

O principal autor do estudo, professor Majid Ezzati, da Imperial’s School of Public Health, diz: “Nas últimas quatro décadas, as taxas de obesidade em crianças e adolescentes aumentaram em todo o mundo e continuam a crescer em países de baixa e média renda. Mais recentemente, se estenderam aos países de maior renda, embora os níveis de obesidade permaneçam inaceitavelmente altos”.

“Essas tendências preocupantes refletem o impacto do marketing e das políticas de alimentos em todo o mundo, com alimentos nutritivos e saudáveis caros demais para famílias e comunidades pobres. A tendência prevê uma geração de crianças e adolescentes que crescem obesos e com maior risco de doenças como o diabetes. Precisamos de maneiras para tornar o alimento saudável e nutritivo mais disponível em casa e na escola, especialmente entre famílias e comunidades pobres, além de regulamentos e impostos para proteger as crianças de alimentos pouco saudáveis”, acrescentou Ezzati.

Até 2022, haverá mais crianças e adolescentes (5-19 anos) obesos do que com desnutrição, que persiste em regiões pobres

Os autores dizem que, se as tendências pós-2000 continuarem, os níveis globais de obesidade infantil e adolescente superarão os de pessoas com desnutrição moderada e grave da mesma faixa etária até 2022. Em 2016, o número global de meninas e meninos com desnutrição moderada e grave foi de 75 milhões e 117 milhões, respectivamente.

No entanto, o grande número de crianças e adolescentes com desnutrição moderada ou grave em 2016 (75 milhões de meninas e 117 milhões de meninos) ainda representa um grande desafio para a saúde pública, especialmente nas partes mais pobres do mundo. Isso reflete a ameaça representada pela má nutrição em todas as suas formas, com jovens com desnutrição e sobrepeso convivendo nas mesmas comunidades.

As crianças e adolescentes passaram rapidamente de uma maioria com desnutrição para uma maioria com sobrepeso em muitos países de média renda, incluindo no Leste Asiático, América Latina e Caribe. Os autores dizem que isso pode refletir um aumento no consumo de alimentos densos em energia, especialmente carboidratos altamente processados, que levam ao aumento de peso e a baixos resultados de saúde ao longo da vida.

Fiona Bull, coordenadora do programa de vigilância e prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis da OMS, afirma: “Esses dados destacam, relembram e reforçam que o sobrepeso e a obesidade são atualmente uma crise mundial de saúde e, ao menos que comecemos a tomar medidas drásticas, deve piorar nos próximos anos”.

Sobrepeso em crianças e adolescentes preocupa autoridades de saúde

O aumento mundial na prevalência da obesidade em crianças e adolescentes tem chamado à atenção de médicos e das autoridades da saúde, em virtude do maior risco de desenvolvimento de fatores de risco associados à doença cardiovascular. A maior oferta de alimentos e algumas facilidades da vida moderna propiciam um ambiente que favorece a superalimentação e o sedentarismo.

O pediatra Guilherme Pulici, que também é especialista em alergia e imunologia, atende em seu consultório crianças e adolescentes com problemas de saúde ocasionados pelo sobrepeso ou pela obesidade ele alerta que o exemplo dos pais é o melhor incentivo para as crianças em qualquer situação. “Manter hábitos saudáveis, alimentação equilibrada e mais diversificada possível, incentivar a prática de exercícios físicos, assim como tentar evitar malefícios que agravam doenças cardíacas e cerebrais, como evitar fumar perto de crianças pode ajudar muito.”

O pediatra diz ainda que acredita que somente uma política governamental pode reverter completamente essa situação grave da obesidade entre crianças e adolescentes, ele cita o exemplo da Jamaica com o incentivo ao esporte, que hoje é um dos países que mais investe no atletismo e que incentiva a prática do esporte desde a infância. “A prática de esportes previne doenças, melhora o sono, melhora a atividade intelectual, além da atividade individual, do incentivo dos pais, uma política governamental a longo prazo, pode gerar inclusive uma economia muito grande com gasto em saúde pública”.