O risco do investimento

O investimento, como sabemos, é a ação do poupador que deixa de consumir hoje para consumir mais no futuro. Deixar de usar o dinheiro que está na conta corrente ou no bolso hoje para usá-lo no futuro sem correr o risco de perder o valor aplicado, é a questão que fica pairando na cabeça de todo poupador. Assim, confiar no agente intermediário é fundamental para manter a guarda ou a custódia do dinheiro aplicado nas mãos de terceiros.

Acontece que não existe no mundo um investimento livre de risco. O que existe é investimento com menor ou maior grau de risco com base nos cálculos elaborados por meio das medidas estatísticas. Várias medidas podem ser usadas, sendo as mais comuns à média aritmética, a média aritmética ponderada, desvio padrão e o valor em risco (VAR).

Em finanças, temos a proposição de que todo investidor que seja racional será contrário ao risco, ou seja, havendo dois ou mais investimentos que entreguem a mesma rentabilidade, o investidor sempre irá escolher aquele que lhe apresentar menor risco. E é por isso que analisar um investimento apenas pela rentabilidade pode levar o investidor a perder todo o capital.

Todo e qualquer investimento deve levar em consideração a tríade – rentabilidade, liquidez e segurança – que são excludentes entre si e não são encontrados simultaneamente em nenhum investimento. O investidor deverá escolher qual quer ter em seu investimento levando em consideração as medidas estatísticas elaboradas para sua aplicação.

A escolha será realizada pelo perfil do investidor que buscará sempre maximizar uma das características da tríade para aumentar o retorno do capital investido com o menor grau de risco. O exemplo mais comum é a poupança que apresenta um alto grau de segurança e liquidez, mas de rentabilidade irrisória. Nesse caso, o investidor busca a certeza de que terá o dinheiro sempre que precisar, uma vez que a poupança possui a garantia do Fundo Garantidor de Créditos e do próprio governo, aceitando, em troca, uma rentabilidade inferior aos demais produtos financeiros existentes no mercado.

Como sabemos, não existe investimento com risco zero, mas de menor ou maior grau de risco que são: de crédito, liquidez, mercado, operacional e legal.

O risco de crédito é aquele em que o investidor deixa de receber o capital mais a rentabilidade na data do vencimento da aplicação, nos termos acordados com o agente intermediário, por causa dos dissabores atribuídos ao próprio agente intermediário. Exemplo: Investidor que adquiriu um CDB do banco XYZ e na data do vencimento o banco decreta falência. Portanto, o investidor deixará de receber seu capital mais a rentabilidade na data acordada.

O risco de liquidez é aquele investimento que possui dificuldade em sua comercialização, na compra e venda, e que está ligada a pequena quantidade de transação com o ativo. Liquidez é sempre a capacidade de poder converter o mais rápido possível o ativo investido em dinheiro. Portanto, o risco de liquidez é a demora, quando necessário, da conversão do ativo investido em dinheiro. Exemplo: Ação XYZ negociada na Bolsa de Valores e que possui negociação diária de apenas R$10.000,00. Se você possui R$100 mil reais em ações XYZ, você passará dez dias para vender todas as ações. Liquidez, nesse caso, seria você conseguir vender todas as ações num único pregão da bolsa. Portanto, sua liquidez é mitigada e pode causar prejuízo se no decorrer das vendas diárias a empresa falir ou deixar de ser negociada na bolsa.

O risco de mercado é aquele causado pela incerteza com o “comportamento dos preços dos ativos em função de oscilações de variáveis como taxas de juros, câmbio, preço das ações, entre outras.” São as adversidades que fogem ao controle dos agentes do mercado e/ou do próprio investidor, mas que atinge a todos os participantes do mercado financeiro. Exemplo: Um investidor compra uma quantidade “M” da ação XYZ correspondente a R$100 mil reais. Seis meses depois ocorre uma guerra entre a principal potência mundial e um país da Ásia. Tal situação foge ao controle dos agentes do mercado e do investidor, forçando as bolsas mundiais a caírem 20%. Assim, se o investidor precisar vender as ações em carteira, terá um prejuízo realizado de R$20 mil reais. Só que esse prejuízo não ocorreu por causa da empresa, mas por uma questão que extrapola todos os agentes do mercado. Agora, se o investidor não precisar vender as ações e esperar a paz voltar, poderá encerrar a aplicação com lucro ou reaver o capital investido.

O risco operacional pode ser a falha no sistema, equipamento ou humana do agente intermediário ou do próprio investidor. Exemplo: O investidor manda uma ordem de venda para a corretora e essa por falha no seu sistema não realiza a operação ou a conexão do investidor com a internet é interrompida. Por fim, o risco legal pode ser por um contrato mal formulado, documentos incorretos, descumprimento de prazo ou tudo que tenha relação formal entre investidor e agente intermediário.

Investir leitor, não é só ter capital ou ser um poupador, é também saber lidar com as variantes do risco. Você não deve chegar numa corretora, num banco de investimento ou de varejo e aceitar o ativo oferecido pelo corretor ou gerente. É fundamental que você analise o prospecto, as taxas que serão cobradas, as garantias, o prazo, o emissor, o potencial de negociabilidade no mercado secundário e etc para decidir se fará ou não o investimento. Lembre-se: “é o olho do dono que engorda o boi”, no seu caso, é a análise do risco envolvido no investimento que levará seu capital a crescer com menor ou maior grau risco ou não.

Marco Antonio Mourão de Oliveira, 40, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.