Rio Branco
23°C
quarta-feira, 24 de junho de 2026
13:34

O que é o vírus Nipah, doença cerebral com surto na Índia que pode causar nova pandemia

Um surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental acendeu um alerta sanitário na Índia e reacendeu o debate global sobre o potencial pandêmico da doença. Ao menos cinco casos foram confirmados, incluindo infecções em profissionais de saúde, o que elevou o nível de vigilância das autoridades.

Cerca de 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena, enquanto os pacientes infectados estão internados em hospitais de Calcutá. Um deles permanece em estado crítico, segundo informações da imprensa local.

Transmissão em ambiente hospitalar preocupa autoridades

As infecções mais recentes envolvem médicos e enfermeiros que atuavam no mesmo hospital particular na cidade de Barasat, nos arredores da capital. Duas enfermeiras já haviam testado positivo no início do mês, o que indica possível transmissão em ambiente hospitalar.

Especialistas alertam que, apesar de raro, o vírus Nipah está entre os patógenos com maior potencial de causar uma nova pandemia. A virologista Rebecca Dutch, referência mundial em vírus emergentes, afirma que novos surtos são esperados no futuro.

O que é o vírus Nipah

O vírus Nipah é um patógeno zoonótico, capaz de ser transmitido entre animais e seres humanos. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto na Malásia envolvendo criadores de suínos.

Desde então, registros esporádicos da doença têm ocorrido principalmente no sul e sudeste da Ásia, com destaque para Índia e Bangladesh.

Da família Paramyxoviridae, o principal reservatório natural do vírus são os morcegos-frugívoros do gênero Pteropus. A transmissão pode ocorrer de forma direta ou por meio de hospedeiros intermediários, como porcos.

Como ocorre a transmissão

A infecção pode acontecer por contato com secreções corporais de animais infectados — como saliva, sangue, urina ou fezes — ou pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas ou seiva de tamareira crua.

Também há registro de transmissão de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes hospitalares e no convívio próximo com pacientes infectados.

Sintomas e agravamento da doença

Os sintomas iniciais costumam surgir entre quatro e 14 dias após o contato com o vírus e podem se assemelhar a um quadro gripal:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • náuseas e vômitos;
  • dor de garganta.
  • Em parte dos casos, a doença evolui rapidamente para quadros graves. O Nipah pode provocar encefalite, inflamação cerebral que causa confusão mental, convulsões, sonolência e, em situações extremas, coma.

    A taxa de letalidade varia conforme o surto, mas pode ultrapassar 70% em determinados contextos.

    Existe tratamento ou vacina?

    Atualmente, não existe tratamento específico nem vacina aprovada contra o vírus Nipah. O atendimento médico é baseado em medidas de suporte, como hidratação, controle de sintomas e suporte respiratório em casos graves.

    Estudos avaliam o uso de antivirais e terapias experimentais, mas nenhuma opção teve eficácia comprovada até o momento. Por isso, o vírus integra a lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Como se prevenir do vírus Nipah

    A prevenção segue como a principal estratégia de combate. Entre as recomendações estão:

  • evitar contato com morcegos e porcos;
  • não consumir frutas ou seiva de tamareira potencialmente contaminadas;
  • cozinhar bem alimentos de origem animal;
  • manter higiene rigorosa das mãos;
  • uso de equipamentos de proteção individual em ambientes de saúde.
  • Autoridades reforçam que a vigilância epidemiológica e a identificação rápida de casos são essenciais para conter surtos e evitar uma disseminação mais ampla.