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sábado, 8 de agosto de 2026
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O que causou o aumento da carne?

Já ouviram falar na “peste suína africana”?

Já discutia sobre este tema, quando participei em um congresso na Argentina, com o então ministro da agricultura de lá o Sr. Lorenzo Basso, na época parecia que ninguém acreditava em suas afirmações, que demonstrava de forma gradativa o aumento da carne, por conta de outros fatores, como o investimento em grãos e o pouco espaço para a pastagem que concorre diretamente com outros produtos, dentre eles o trigo e a soja.

A carne bovina sofreu reajustes nas últimas semanas, todavia a tendência é que ela baixe, tendo em vista o fim da entressafra e festas no final do ano, o preço médio da carne chegou a um aumento de 35%, segundo o CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA (CEPEA), da universidade de São Paulo.

O que não foi possível prever na época em que debatíamos tal tema, eram as doenças do setor, os fatores internos e externos que resultariam neste aumento, portanto, não é de agora esta crise, e ela começou a ser desenhada em meados de 2013. O que é preciso entender é que nada, começa de uma hora para outra, e que isto se trata do mais básico da economia, que é “oferta e procura”, se em 2013 estávamos passando por uma crise, o consumo de carne diminui ou seja a sua procura, com isto o preço da carne cai, e ela é um produto que tem alta elasticidade, ou seja, quando existe aumento de preço a população diminui drasticamente o seu consumo, principalmente as classes mais baixas, esta crise de 2013 continuou por mais 3 anos.

Além destes fatores, houve ainda uma forte seca na região central do Brasil, entre 2014 e 2015, o que resultou na dificuldade da engorda do boi, que demoraram a ganhar peso, e assim os produtores resolveram abater mais fêmeas, para suprir a necessidade da carne, o que ao longo prazo, diminui o número de bezerros para os abates futuros.

Ocorre que em 2019, a China esta enfrentando um surto de peste suína africana (PSA), e por conta disto, os Chineses chegam a pagar 15% a mais no preço de mercado do corte bovino para outros países, incluindo o Brasil, assim a (arroba) do boi disparou, passando de R$ 200,00 (duzentos reais), como tudo lá fora é negociado em dólar, o Brasil se tornou muito competitivo no mercado externo, pois com a alta do dólar que chegou ao preço de $4,27, é muito mais vantajoso comprar do Brasil que é um dos maiores produtores de carne a um preço favorável de mercado.

Como o Brasil ainda está se recuperando, e ouve um sutil recuo do desemprego, e com a liberação do FGTS, para aquecimento do mercado em conjunto com as festas de final de ano, a procura por carnes se torna maior e faz com que se diminua a quantidade de carne no mercado interno aumentando diretamente o seu preço.

A procura portanto por meios alternativos de proteína como o ovo, frango e carne de porco se torna a opção de todo brasileiro, a estimativa da USDA – Departamento de Agricultura dos EUA, é que o Brasil aumente as suas exportações em cerca de 40%, e os preços caiam no inicio do ano ficando na média de 17% mais cara.

A importância de saber disso tudo, é que você pode parar de culpar o governo e começar a cobrar dele o que fazer para resolver esta situação, primeiro de tudo devemos cobrar investimentos no setor agropecuário, para que seja desenvolvido uma vacina e os nossos animais não sejam atingidos, bem como que o governo possa estabelecer um subsidio, para que se mantenha o preço interno mais em conta, ou ainda em ultimo caso como o preço esta atrativo, que o governo compre de países vizinhos a carne e assim não deixa a mesma faltar no mercado interno.

Sobre o autor:

Dr. Monteiro. Advogado, professor, coach, palestrante, cientista político, especialista em direito público c/ ênfase em gestão, especialista em direito eleitoral, mestre em direito das relações internacionais, ex-presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB/AM, atuando ainda nos órgãos federais e outras entidades da administração pública direta e indireta, formado em administração e direito, busca sempre aperfeiçoamento em suas áreas, conhece bem as dificuldades do empresariado e da população, por isso tem um notório conhecimento como consultor jurídico, administrativo e financeiro tendo sido ainda gerente bancário por 05 (cinco) anos.