Na última sexta-feira (01) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre de 2017 com crescimento em relação ao trimestre anterior de 0,2%, totalizando R$1,639 trilhão.
O grande destaque do PIB do 2º trimestre esteve no campo do consumo das famílias. A liberação do FGTS impulsionou o consumo retraído e permitiu o pagamento das dívidas. Os pesquisadores Julio Mereb e Silvia Matos do IBRE/FGV afirmaram que “Pelo lado da demanda, e de modo condizente com o referido resultado do comércio, o consumo deve liderar o processo de retomada da economia. Além do impulso pontual proporcionado pelos recursos do FGTS, que em algum momento irá se exaurir, a melhora das perspectivas de crédito para pessoas físicas, a redução do endividamento das famílias e o aumento do poder de compra decorrente da baixíssima inflação de alimentos também vêm sustentando a retomada do consumo. Os sinais ainda preocupantes, no entanto, vêm das despesas com investimento, que contraíram 0,7% do primeiro para o segundo trimestre.”
O empurrão dado pelo governo federal ao liberar o FGTS não terá, como afirmaram os pesquisadores, constância na retomada do consumo das famílias. A maior parte do capital liberado foi para quitar dívidas e o restante direcionado ao consumo necessário. O governo não possui condições de liberar mais recursos, inclusive do FGTS, devido à crise fiscal.
Por outro lado, a Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF) responsável pelo investimento em máquinas e equipamentos, construção civil e em pesquisa e desenvolvimento, caiu 0,7%, demonstrando que o crescimento de 0,2% do PIB foi marginal, puxado apenas pelo consumo das famílias que ativou o setor de serviços.
Para considerarmos um crescimento constante do PIB e o fim da recessão definitivamente, entendemos que a FBCF deve caminhar para o positivo, o que já vem acontecendo, mas de forma lenta. Apenas quando o empresariado enxergar e acreditar que a economia realmente caminha para o crescimento, os investimentos serão incorporados aos parques industriais e veremos o incremento da construção civil.
José Luís Oreiro, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) afirma que “O investimento é fundamental, porque aumenta a capacidade da economia e introduz progresso técnico. Sem ele, não haverá aumento sistemático da produtividade”, ou seja, do PIB.
Por fim, a agropecuária que no 1º trimestre contribuiu com 14,9% para o PIB, no 2º trimestre teve 0,0% de contribuição. Isso demonstra que o crescimento do PIB nos dois trimestres de 2017 foi pontual, não fixando um vértice ascendente da economia. Enquanto a alavancagem da população estiver alta e o empresariado não confiar no crescimento da economia, o PIB ficará numa gangorra sem fixar tendência positiva.
Marco Antonio Mourão de Oliveira, 41, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.


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