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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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O drama da Hanseníase e da Casa Souza Araújo

Nessa última semana tivemos mais um capítulo dramático na Saúde, desta vez envolvendo a Casa de Acolhida Souza Araújo que presta assistência aos portadores de Hanseníase desde os primórdios do século passado. O contrato entre a Diocese de Rio Branco e o governo do estado teve início em 1966 e apesar das adversidades que qualquer relacionamento defronta, nunca a sobrevivência do abrigo dos hansenianos esteve tão ameaçada. Isso porque o referido contrato se encerrou recentemente e a Casa se viu desprovida de recursos para própria subsistência.

Para entendermos a situação, lembro que a hanseníase é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae e Mycobacterium lepromatosis e que, ao contrário do folclore popular, não é altamente contagiosa e tratamento muito eficaz está disponível. Os meios de transmissão não são totalmente compreendidos e acredita-se que a doença seja provavelmente transmitida pela via respiratória e, ocasionalmente, os organismos podem entrar no corpo através de um ferimento na pele. Ou seja, tocar na pele do portador da doença não transmite a doença. E, mesmo após a exposição, a maioria dos indivíduos não desenvolve a doença!

Na década de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu como meta eliminar a hanseníase como um problema de saúde pública até o ano 2000. O conceito de “eliminação” foi definido como uma redução na prevalência para abaixo de 1 caso por 10.000 habitantes em todos os países endêmicos. Entre 1985 e 2011, o número de casos registrados caiu de 5,4 milhões para 219.075; a taxa de prevalência por 10.000 caiu de 21,1% para 0,37%. Mesmo assim, o Brasil figura entre os líderes mundiais da hanseníase, e o nosso estado apresentou, de acordo com o último boletim epidemiológico do Minsitério da Saúde lançado ano passado, uma taxa média de detecção de casos novos de hanseníase (por 100 mil habitantes) de 18,23 casos (inferior à taxa média da região Norte).

Diagnosticada tardiamente, a doença traz sequelas, dentre as quais, as neurológicas são as que mais chamam atenção: diminuição da sensibilidade, diminnuição da força muscular, diminuição da amplitude de movimento, deformidades na pele e nos membros, retrações dos dedos, entre outras mais. Pode se manifestar com manchas mais claras, vermelhas ou mais escuras, que apresentam limites imprecisos e alteração da sensibilidade no local afetado associado a perda de pêlos e ausência de transpiração. Nódulos ou inchaços nas partes frias do corpo podem aparecer no início da doença, como mãos, pés, cotovelos e orelhas.

Fato é que a doença tem tratamento e nos casos mais avançados há necessidade de acompanhamento médico e realização constante de curativos. Entidades médicas (Sindmed, CRM, AMAC e o Deputado Dr Jenilson) se juntaram para realizar uma louvável campanha de arrecadação de fundos para aquisição de materiais necessários para dar continuidade ao funcionamento da Casa Souza Araújo. Luvas de procedimento M, luvas estéreis tamanho 7.5, ataduras largas de 15m, gazes, fraldas tamanho M, G, GG e pomadas (lidocaína, cloranfenicol, neomicina e sulfadiazina de prata) são os materiais mais necessários para quem quiser colaborar. Os postos de coletas de doações: Sindicato dos Médicos do Acre, situado na Rua Milton Matos número 225 próximo ao colégio Sigma, no Bosque e Conselho Regional de Medicina situado na Estrada Dias Martins, número 820 próximo a FAAO. Qualquer leitor pode contribuir também através de depósito de qualquer quantia no Banco 756, Agência 0001, Conta poupança: 62.933.525-7, Beneficiário: Souza Araújo. Vamos contribuir!

 

Dr Guilherme Pulici é médico especialista em Alergia e Imunologia e Pediatria, Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre e Secretário da Federação Médica Brasileira