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quinta-feira, 6 de agosto de 2026
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O CAMINHO CERTO É SEMPRE MAIS FÁCIL

Começo a coluna homenageando o meu irmão mais novo, Marco Aurélio, que na data de hoje completa 13 (treze) anos de idade. Tenho muito orgulho de você, Lelinha. Você é o mais fofo e o mais inteligente de nossa família (sem ciúmes, tá, Sabrina e Brandine?). Parabéns e continue sendo esse menino maravilhoso que você é, e que certamente será um grande homem!

Bom, falando nos meus irmãos, sempre procurei, como irmão mais velho, dar os melhores exemplos a eles.

Friedrich Nietzsche disse uma vez que “é mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação”. Eu compreendo o que Nietzsche quis dizer, mas sempre pensei: e por que não ter as duas coisas, uma boa consciência e uma boa reputação? E só se chega a isso, a meu ver, se você sempre buscar fazer as coisas de forma correta, de forma honesta, de forma ética.

Já falei em colunas anteriores sobre a ética (“Mais que observar a ética, temos que praticá-la”, em 9 de maio de 2019), sobre os mandamentos do advogado (em 30 de maio), mas nunca é demais falar sobre retidão, ainda mais nos tempos que vivemos hoje, em que a cada dia descobrimos coisas tenebrosas feitas pelos mandatários maiores de nosso país.

Vi uma aula do professor Cortella esses dias, em que ele falava de ética, e me lembrei de um episódio que aconteceu quando eu cursava Direito na UFAC. Um colega de turma, falando de sua dificuldade de driblar a sua esposa, em suas “escapadas”. Disse ele que pagava a conta do motel sempre com dinheiro vivo, em “cash”, para não aparecer na fatura do cartão de crédito. Falou também que sempre pegava um veículo emprestado, a fim de que a placa do seu carro não fosse filmada entrando nesses locais. E que isso dava um “trabalho danado”.

Ora, não seria mais fácil “andar na linha” ao invés de ter esse trabalho todo?

Lembrei também que no início do ano, lá pelos dias em que as pessoas costumam mandar as declarações do imposto de renda para a Receita Federal, recebo a ligação de uma cliente, que me pagou valores em 2018, dizendo que não ia declarar o valor que me pagou, porque honorários advocatícios não têm restituição. Ela me ligou em um tom como se quisesse me dizer que estava me fazendo um favor, sabe? “Olha, eu não declaro, então tu não precisa declarar”. Mal sabia ela que eu já tinha declarado esses rendimentos, como qualquer valor, por mais ínfimo que seja, que entra em minha conta em razão do exercício de minha profissão.

É bem mais fácil do que eu ter que ligar para cada cliente e dizer: “olha, não declare o que me pagou, por favor”. É bem mais fácil do que eu dormir todos os dias preocupado se a Receita Federal vai bater à minha porta e mandar eu justificar as movimentações em minha conta (que não são lá essas coisas, mas tem). O caminho certo é bem mais fácil, bem menos trabalhoso do que fazer as coisas erradas e depois ter que justificar o injustificável.

Prefiro dormir com a consciência leve, com as contas e os impostos pagos, sem nada a temer. E não digo isso para me vangloriar, pois isso é obrigação de todos.

Aristóteles disse que “o homem livre é senhor da sua vontade e escravo somente da sua consciência”. Eu prefiro ter a minha tranquila, e você?