O belo traje do rio Acre, é a água que corre entre a ramagem da mata e a corredeira que teima em mergulhar as folhas molhadas de ontem. Uma massa orgânica que anuncia as silabas de um novo corpo.
Um corpo capaz de erguer o espaço do sorriso, toda vez que a tribo lhe convida para descer o rio, alimentado de raízes.
Da equação luz e água, nasce um solo que traduz esperança de vida. Esperança que vem na luz das estrelas, lá da imensidão das horas brancas. Ao mesmo tempo, vive fadada a fazer excursionismo terrestre para salvar a espécie humana da extinção.
Ainda assim, quando muitos lhe veem na calha de um rio natural, lhe tratam como enjoo de uma ressaca. Triste né, a atitude humana!!.
Tê-la tratada, capaz de ser consumida, bem como, dá sequência ao existir, ainda é o nosso desafio.
E com ela, eu divido o mesmo curso da vida, sentado sob a luz de um céu azul, que assisti comigo a corredeira germinar a terra de uma primavera, cuja as flores circulam nas veias de um lago rico e promissor.
Não por iniciativa do “bicho dois pés”, mas sim, do bicho silvestre que nunca ameaça o equilíbrio da vida na terra. Além perdoar e curar a humanidade, um rio, enche todo prato com alimento saudável, há quem diga que é possível haver guerra entre as nações por causa da escassez da água, dizem ainda, que esse conflito, é um caminho sem volta. Você acredita?
Se eu pudesse ser noite, todo dia olhava para o rio correr cristalino, antes da sede chega caseira sem nenhuma censura mental ou ambiental. É março. E pela janela do tempo vejo ao longe, a chuva correr pelas rugas antigas, franzidas na testa dos homens que tem buscado em vão, as medidas preventivas que são capazes de evitar desastres humanos e ambientais.
Diz a lenda que, se um dia você ver a chuva cair num dia ensolarado, é porque o pescador entende que há supimpa evidência de forte alagação na região. Diz ainda, que o sol e a lua mudam de posição somente para a humanidade procriar, e a espécie preservar. Você sabia que há calmaria nos rios, antes da chuvarada chegar? O homem Amazonino trata o assunto como se fosse a lenda da zona rural do mundo.
Muito embora, as lendas sérias sejam respeitadas, esse assunto foi desconsiderado por ser muito batido. Com tudo, eles entendam que haja um vínculo forte entre o cenário físico de um bacia hidrográfica e o destino da humanidade. Tudo é muito perto, é muito rápido e muito intenso.
A graça da chuva, consiste em vê-la correr na calha da emoção. Claro, mas sem ficar encantado, porque uma população de cabelo cuia, que vivi lá fora, corre sério risco de ser extinta, devido a falta d’água potável.
O certo é que todos precisamos sonhar e construir uma esperança. A esperança de que, no futuro tudo será modificado, porque todos – indivíduos e coletividade, o mundo inteiro, enfim – consciente da importância – água–rio, teremos feito algo, não somente por ti, mas por todos, indistintamente. Pois que, nenhum de nós será salvo, sem que sejamos salvo também.
Todavia tenho dúvida, tenho receio e tomara que assim não seja, porque o tempo da nossa estadia no vale do Rio Acre se resume num passeio. E esse passeio tem sido um desastre para os ambientes aquáticos, (rios, afluentes, igarapés e nascentes).
Sinceramente, espero que o homem nada mais tenha para destruir na terra. E que a vida na casa comum, tenha mais, muito mais que um existir. Será que o Rio Acre chegará saudável em 2080l!? Até lá, talvez, o Pedro, o André, o Jorginho ou o Lucas me respondam.
Claudemir Mesquita, é especialista em planejamento e uso de bacias hidrográficas. É professor, geógrafo e escritor, Membro da Academia Acreana de Letras e Presidente da Associação Amigos do Rio Acre- E-mail [email protected]



?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>