O número de armas de fogo registradas na Polícia Federal por pessoas físicas cresceu 23,5% até novembro de 2019, primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro, em relação a todo o ano de 2018.
Foram 44.181 armas de fogo, o equivalente a cinco armas registradas por hora, contra 35.758 no ano anterior, segundo dados divulgados pelo jornal “O Globo” nesta sexta-feira (27). Trata-se do maior número ao menos desde 2010, quando 12.006 armas foram registradas. Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram os estados onde houve maior crescimento de registros em 2019.
Tornar mais fácil o acesso da população a armas de fogo foi uma das promessas de campanha de Bolsonaro. Já no governo, ele editou oito decretos a respeito do tema. Os decretos, entre outros aspectos, aumentaram a validade dos registro das armas de 5 para 10 anos, permitiram a posse de arma em propriedades rurais e flexibilização das regras para caçadores, atiradores e colecionadores.
A queda de 22% das taxas de mortes violentas registradas nos nove primeiros meses deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior, deve reforçar o argumento do presidente – embora seja um argumento perigoso.
Os índices já vinham caindo desde 2017, quando o país registrou recorde no número de homicídios – 60 mil no ano, quase sete a cada hora.
Especialistas dizem que não existe uma explicação única para a redução. Em 2018, ações específicas de governos estaduais, como o aumento do efetivo policial nas ruas do Rio e Pernambuco, tiveram impacto nos resultados. Outra hipótese se relaciona ao cessar fogo das brigas entre facções criminosas que fizeram os homicídios dispararem, em 2017, em estados como o Ceará.
Desde 2018, houve também mais recursos do governo federal para a Segurança Pública. Em 2018, o Fórum de Segurança Pública, organização não-governamental, que recolhe dados sobre crimes no país, estimou que foram assassinadas 57.341 pessoas no Brasil. (G1)


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