Chuva forte durante a madrugada transformou ruas em rios e revelou que asfalto sem drenagem não resolve problemas históricos da cidade planejada para fugir das cheias
Uma imagem impressionante chamou a atenção de moradores e leitores do Jornal Opinião: um homem precisou usar uma canoa para se locomover por uma rua, em plena área urbana. A cena, que poderia parecer comum se fosse registrada na Cidade Baixa, durante o período de cheia dos rios — que geralmente ocorre entre fevereiro e março —, causou ainda mais impacto por ter ocorrido no Piquiá.
O Piquiá foi construído justamente com o objetivo de afastar a população de Boca do Acre das constantes alagações históricas. No entanto, a forte chuva que caiu durante a madrugada desta quarta-feira (17) mostrou que o problema persiste e tem causado prejuízos significativos, apesar de a prefeitura postar que tem trabalho no serviço de drenagem.
Segundo relatos recebidos pelo jornal, diversas ruas ficaram completamente alagadas, impedindo a passagem de pedestres e veículos. Em alguns pontos, a água invadiu residências, trazendo transtornos, perdas materiais e sensação de insegurança aos moradores.
“Teve casa que amanheceu com água dentro. Muita gente se sentiu isolada, sem conseguir sair para trabalhar ou levar os filhos para a escola”, relatou um morador da área afetada.
Asfalto sem base não resiste
O episódio reacende um alerta já conhecido por técnicos e pela própria população: não basta asfaltar. Sem um trabalho adequado de base, drenagem e escoamento das águas pluviais, o pavimento não suporta a pressão da água acumulada e acaba cedendo em pouco tempo.
A chuva revelou que, apesar das ruas pavimentadas, a ausência de um sistema eficiente de drenagem transforma o asfalto em uma falsa solução. A água, sem ter para onde escoar, se acumula, invade casas e compromete a durabilidade do pavimento.
Prejuízos e frustração
Moradores do Piquiá relatam frustração ao perceber que uma área planejada para ser alternativa às cheias enfrenta hoje problemas semelhantes — ou até piores — do que aqueles que motivaram sua criação. Além dos prejuízos materiais, há o impacto psicológico de ver sonhos de segurança e dignidade urbana serem novamente ameaçados.
A imagem do homem em uma canoa, em pleno bairro planejado, tornou-se símbolo de uma realidade que insiste em se repetir: sem infraestrutura básica, obras superficiais não resolvem problemas estruturais.



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