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domingo, 5 de julho de 2026
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No Acre, Saúde pretende vacinar 22 mil crianças durante campanha contra o sarampo

Durante a campanha de vacinação contra o sarampo, que iniciou na segunda-feira, 7, e vai até o dia 25 deste mês, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) pretende imunizar 22 mil crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias de vida em todas as 22 cidades do Estado. Desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde (MS), a ação terá três etapas e atenderá públicos de diferentes faixas etárias. Cerca de 55 mil doses foram enviadas pelo governo federal para o trabalho.

A primeira etapa da mobilização é chamada de Dose Zero, já que vai imunizar pela primeira vez o público alvo. O segundo momento da campanha, que deve ser promovido entre os dias 18 e 30 de novembro, terá como alvo principal jovens e adultos entre 20 e 29 anos. Segundo a responsável Técnica pela Vigilância Epidemiológica das Doenças Exantemáticas da Sesacre, Renata Meireles, esses dois grupos receberão atenção especial da pasta por terem maior concentração da doença.

“Nós temos no país 18 Estados apresentando casos confirmados da doença, mas, no Acre, não temos nenhum confirmado. E de todos os casos suspeitos, até o momento, foram liberados como negativos”, ressalta Renata. A responsável comenta que as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias de vida fazem parte do grupo prioritário por serem mais suscetíveis. “A vacina é disponibilizada na rotina para crianças de 1 ano com a primeira dose da tríplice-viral e a segunda dose com a tetra viral independente de campanha ou intensificação vacinal em todas as cidades”.

Renata explica que esse grupo prioritário foi estabelecido em virtude dos surtos de sarampo ativos no Brasil e que as crianças menores de um ano são as mais acometidas devido a baixa imunidade. Outro fator é a falta de anticorpos que quase todas as crianças têm em relação a doença, já que ela não era registrada há anos no país. No Acre, por exemplo, os últimos casos de sarampo foram registrados em 2000. De acordo com a responsável técnica, desde então não houveram registros no Estado e neste ano nenhuma criança foi diagnosticada.

“A vacinação é importante para prevenir contra o sarampo e garantir que todo o público alvo esteja imune contra um vírus, que pode levar até a morte. Tem muito adulto querendo tomar a vacina agora, onde o período é para o bebê desprotegido. Isso tem nos preocupado. É um público que tem direito a vacina, mas ele tem direito ao longo do ano. Primeiro vamos vacinar os bebês e posteriormente o MS vai enviando aos poucos mais doses para vacinar o restante da população”.

A terceira etapa da campanha atenderá a população em geral que não está incluída nos dois grupos prioritários. As vacinas já são distribuídas nas cidades e estarão disponíveis em todas as unidades de saúde nos municípios. Complementar a primeira medida, doses contra a poliomielite também serão disponibilizadas para reforçar a imunização. A representante da Sesacre destaca a importância da população atender ao chamado para o Acre continuar sem casos confirmados da doença.

Baixa cobertura

O maior desafio da Sesacre neste ano é conseguir mobilizar a sociedade. Dados mostram que o Acre teve um dos índices mais baixos de cobertura vacinal do Brasil em 2018, ocupando a 22ª segunda colocação em 2018 conforme o Ministério da Saúde. Devido aos baixos números, o calendário vacinal das crianças vai ser obrigatório no momento da matrícula em escolas da Rede Pública de Ensino do Estado e Município. A medida faz parte de estratégias conjuntas do Ministério Público do Acre (MP-AC) por meio da Promotoria Especializada e Defesa da Saúde.

 

A pasta estadual desenvolverá a campanha com auxílio das secretarias de Saúde (Semsa) e de Educação (Seme) de Rio Branco, além do Conselho Regional de Medicina (CRM) e Sindicato dos Médicos do Acre (Sindimed-AC). Renata Meireles destaca que no Brasil e, consequentemente, no Acre, nos últimos cinco anos houve uma tendência de queda nas coberturas vacinais, com as crianças sendo as mais desprotegidas. “Identificamos que não temos doenças circulando que causam impacto. Isso traz uma falsa segurança de que não há mais necessidade”.

Esse foi o principal fator para a reintrodução do sarampo no país segundo a responsável técnica. Além disso, outras doenças como difteria, poliomielite, caxumba, rubéola, meningites, pneumonias e influenza, podem ser prevenidas facilmente por meio da vacinação. “A gente pede que diante da suspeita do sarampo, a pessoa não se ausente de casa e evite ir ao trabalho/escola por pelo menos quatro dias, até que se investigue a doença. Isso é feito em função da doença ser de fácil contágio”.

Sarampo

O sarampo é uma doença infecciosa grave causada por um vírus que pode ser fatal ao ser humano. A transmissão ocorre quando a pessoa afetada tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. A única maneira de evitar o sarampo é pela vacina. Os sintomas mais comuns são manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade.

Os sinais aprecem entre três e cinco dias após o doente ser infectado. Os sintomas são mais graves principalmente em crianças menores de cinco anos. Segundo o Ministério da Saúde, “o sarampo é tão contagioso que uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes. A transmissão pode ocorrer entre 4 dias antes e 4 dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo. A vacina é a única maneira de evitar que isso aconteça”, fala o órgão.