“Não temais, porque eis que vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo. Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc. 2, 8-11).
O mês de dezembro é portador de luzes e decorações: nas casas, arvores iluminadas são montadas, nas cidades e nos ambientes públicos também. Temos uma certeza: É tempo de Natal! É o período em que as lojas se tornaram, mais do que o habitual, os “templos de consumo”. O tempo do Natal é um momento importante de convívio, entrega e troca de presentes, para as crianças, mas também para os adultos que querem se divertir. O Natal também tem esse aspecto de intimidade, proximidade. Natal é “festa familiar”: a família se reúne em volta de uma mesa festiva.
Às vezes, ouve-se: “Natal, para nós, é sagrado”. Aqui, “sagrado” é sinônimo de “importante”. Todo esse aspecto festivo de Natal nos convida a perguntar pela fonte de onde jorra tanto amor e ternura. Natal, do latim “Natalis” significa nascimento. “Nasce” com o cristianismo. Os cristãos celebram o nascimento de Jesus, Filho de Deus, o Salvador esperando, anunciado pelos profetas.
As celebrações fazem memória de um acontecimento extraordinário: “O Filho de Deus se fez homem”! No sinal de uma criança – “um Deus de fraldas” – Deus se fez pequeno para que possamos amá-lo. A palavra confiada aos Patriarcas e aos Profetas na história era uma preparação: Ele tinha que se aproximar ainda mais de nós, para entrar no tempo – Aquele que está acima de todos os tempos.
A partir daquela noite em Belém, a surpresa indescritível, saudada em primeiro lugar por Maria e José, depois pelos pastores e pelos magos, é que Deus, o Todo-Poderoso, o Senhor dos céus e da terra quis estar tão perto de nós, próximo de todos os seus filhos. Ele veio como um recém-nascido que precisa de tudo, especialmente um abraço de amor.
Ao relembrar este evento, a liturgia nos insere no mistério da vinda permanente de Deus entre os homens e recorda que Deus quer habitar e “nascer” no coração humano!
Jesus é o Filho de Deus, ele é a sua Palavra que criou todas as coisas e criou cada um de nós. Ao tornar-se um de nós, ele nos associa ao seu próprio nascimento. Nascimento de Jesus é a “Noite Feliz”: a beleza do dom da vida.
O Natal deve ser vivido também como a festa do nosso próprio nascimento. Abramos, então, a Cristo a porta dos nossos corações: Vamos recebê-lo como o cumprimento da promessa de Deus para a salvação dos homens, como a esperança da nossa vida, como uma chance para todo homem e toda mulher. Vamos recebê-lo com alegria porque sua luz atravessa a escuridão da existência humana. Ele consola os corações aflitos, acalma as almas atormentadas, apóia a generosidade da partilha. É a paz para o mundo porque vem para estabelecer a justiça.
Acolhamo-lo em sua Palavra: Ela é uma luz para nossa liberdade e um apelo para corrigir o que é confuso em nossas vidas. Acolhamos seus pedidos de amor ao próximo, perdão e reconciliação. Acolhamo-lo em nossa sociedade: a grandeza humana e o progresso da paz social passam por uma visão do ser humano que inclua a transcendência. Negar-lhe tal aspecto seria prendê-lo em um mundo sem esperança e alegria.
“(…) vos anuncio uma grande alegria, (…) Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc. 2, 8-11) !
Feliz Natal e Boas Festas !
Reitor da Catedral Nossa Senhora de Nazaré


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