Uma estimativa preliminar divulgada pela NASA aponta que 58.870 edifícios podem ter sido danificados ou destruídos pelos terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24). O número é significativamente superior ao balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano, que contabiliza 855 edificações atingidas, sendo 189 completamente desabadas.
O levantamento foi elaborado com base em imagens de radar captadas pelos satélites Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia (ESA), e NISAR, missão desenvolvida em parceria entre a NASA e a agência espacial indiana (ISRO). A tecnologia permite detectar deslocamentos na superfície terrestre e estimar os danos provocados pelos abalos sísmicos.
Segundo a agência norte-americana, os dados ainda possuem caráter preliminar e precisam ser confirmados por equipes em campo, servindo como ferramenta de apoio para as operações de resgate e planejamento das ações emergenciais.
Mapa revela deslocamento do solo
Além da estimativa sobre os danos estruturais, a NASA também divulgou um mapa mostrando o deslocamento da superfície terrestre após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5.
Na imagem, as áreas destacadas em vermelho indicam regiões onde o terreno se deslocou em direção ao satélite, enquanto as áreas em azul representam movimento no sentido oposto. Os tons amarelados correspondem a locais onde praticamente não houve alterações significativas.
De acordo com os pesquisadores, os maiores deslocamentos ocorreram no plano horizontal, informação considerada importante para orientar tanto as equipes de emergência quanto os estudos sobre a falha geológica responsável pelos tremores.
Buscas continuam pelo sexto dia
Enquanto novas análises são divulgadas, as equipes de resgate seguem trabalhando intensamente nas áreas mais afetadas em busca de sobreviventes.
O balanço oficial mais recente divulgado pelas autoridades venezuelanas registra 1.719 mortes, 5.034 feridos e 15.866 pessoas desabrigadas. Paralelamente, grupos ligados à oposição afirmam que cerca de 45 mil pessoas ainda não foram localizadas, embora esse número não tenha confirmação oficial.
As operações contam com o apoio de aproximadamente 30 países, que enviaram bombeiros, especialistas em resgate, cães farejadores, equipamentos e ajuda humanitária para auxiliar nos trabalhos.
Hotel de deportados concentra preocupação
Entre os episódios que mais mobilizam as equipes de resgate está o desabamento de um hotel utilizado para receber venezuelanos deportados dos Estados Unidos.
Segundo relatos de familiares à agência Reuters, cerca de 140 deportados, incluindo crianças, estavam hospedados no prédio no momento dos terremotos.
Os parentes afirmam que muitos ocupantes tiveram celulares e documentos recolhidos pelas autoridades antes da tragédia, o que dificultou tanto a identificação das vítimas quanto o contato com as famílias. Até o momento, dezenas de pessoas seguem desaparecidas.


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