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quinta-feira, 2 de julho de 2026
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Não terá radar móvel até o Contran decidir a questão, diz Bolsonaro

Após a publicação da suspensão do uso de radares móveis em rodovias federais, o presidente Jair Bolsonaro pronunciou-se sobre o assunto nesta quinta-feira. Ele disse que “a partir de segunda-feira não terá radar móvel até o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidir a questão”.

O Acre tem apenas duas rodovias federais a BR-364 que corta o estado de uma ponta à outra e BR-317 que permeia a região de fronteira entre a Bolívia e Peru.

O motorista intermunicipal Hélio Ferreira afirma que não vê muita diferença. “A BR-364 é uma via federal, mas é uma raridade vermos uma guarnição da Polícia Rodoviária Federal trabalhando, quando estavam eram escondidos em curvas ou por de trás de outdoors. Se o Bolsonaro disse isso ele deve saber o tá falando”, disse o taxista.

Já caminhoneiro e empresário Afonso Rogério que trabalha principalmente no trecho da BR-317 é categórico ao afirmar “quanto menos fiscalização mais imprudência, estamos regredindo dessa forma”.

Caso de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro criticou uma decisão da Justiça Federal em Brasília que proibiu a retirada de radares eletrônicos e determinou a renovação dos contratos com empresas que fornecem os equipamentos.

“O importante é que a pessoa, acho que uma juíza que deu essa liminar, dissesse de onde eu vou tirar R$ 1 bilhão para instalar 8 mil pardais no Brasil. Com R$ 1 bilhão na mão, o Tarcísio (Freitas, ministro da Infraestrutura) asfalta, vou chutar, duplica 300 quilômetros de rodovias”, afirmou ao deixar o Palácio da Alvorada.

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Radar pode ajudar a evitar acidentes?

Segundo estudos feitos nos Estados Unidos e na Europa, sim.

O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), organização independente financiada pelas seguradoras americanas, apontou em 2014 que a instalação de radares levou a uma mudança de longo prazo no comportamento de motoristas e à “redução substancial” de mortes e ferimentos no condado de Montgomery, próximo a Washington, nos Estados Unidos.

A comunidade começou a receber mecanismos de controle de velocidade em 2007. Em 2014, contava com 56 câmeras fixas, 30 câmeras portáteis e 6 vans de controle. Na área residencial, o limite de velocidade permitido era de 35 mph (56 km/h).

Já nos primeiros 6 meses, houve redução da proporção de motoristas que dirigiam a ao menos mais de 10 mph (16 km/h) acima do limite nas ruas onde as câmeras foram instaladas.

No geral, o programa reduz o risco de mortes ou ferimentos incapacitantes no trânsito em 39% nas estradas de área residencial com limites de velocidade de 25 a 35 mph (40 e 56 km/h, respectivamente) – o que, em escala, representaria 21 mil vítimas a menos graças aos radares em todo os Estados Unidos, de acordo com o estudo.

A London School of Economics and Political Science (LSE) obteve resultados parecidos com o do instituto norte-americano. A universidade britânica analisou cerca de 2,5 mil pontos monitorados, baseado em órgãos locais e no Departamento de Transporte (DfT).

Segundo a universidade, de 1992 a 2016, o número de acidentes nesses países caiu em até 39%, enquanto o número de mortes diminuiu até 68% no perímetro de 500 metros dos novos radares de velocidade instalados.

A cerca de 1,5 km das câmeras, os acidentes voltam a ser mais recorrentes. Por isso, o estudo sugere a cobertura de uma área maior pela fiscalização.