O Bispo Dom Joaquim Pertinez anunciou que o hospital Santa Juliana não irá mais atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito em coletiva a imprensa na manhã desta terça-feira, 19.
“A partir do dia 31 o Santa Juliana não pode mais atender nenhum paciente do SUS. Fomos ao governador pessoalmente. Não sabemos como vai ficar a situação da saúde, já caótica do Acre”, disse o religioso.
A decisão foi motivada pela falta de pagamento deixada pela gestão passada, e a demora do governo atual em resolver o problema. A dívida do Estado com a Diocese de Rio Branco chega a R$ 4 milhões.
Segundo a Diocese, o hospital atende a 40% dos partos públicos, além da maioria das cirurgias cardíacas realizadas no estado. Sem o repasse do governo, e com as dívidas acumuladas, fica insustentável a manutenção dos atendimentos.
“Já foram enviadas duas cartas ao senhor governador, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina (CRM) avisando dessa situação. Até hoje não teve nenhuma proposta por parte da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) para ser analisada pelo Hospital. Esse convênio não se renova numa semana, nem em um mês, porque são muitos ajustes, muitos aspectos. Isso foi colocado ao senhor governador”, afirmou Dom Joaquim.
Casa de acolhida Souza Araújo
Além do hospital, a casa de acolhida Souza Araújo, que cuida de pessoas com hanseníase, também está há vários meses sem receber. A dívida é de R$ 1,7 milhão. Desde o fim do convênio ocorrido em outubro do ano passado, a Igreja alerta para o problema.
“O governo não cumpre com sua obrigação, o foi convênio assinado, aprovado, publicado e não está sendo cumprindo o repasse, que desde 2013 não teve reajuste. Nós estamos aguentando e financiando tudo, porque esse repasse não cobre nem 50% dos gastos da casa Souza Araújo”, disse o Bispo.
Sem repasse, e sem condições de manter o local, a unidade pode fechar as portas, e os pacientes sem ter para onde ir. “Várias vezes alertei o governador anterior e o atual, eu falei para eles que o problema da hanseníase é um problema de saúde pública, não é um problema da Igreja”, frisou dom Joaquim.


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>