Rio Branco
27°C
terça-feira, 18 de agosto de 2026
07:59

“Não basta estar geograficamente na fronteira, é preciso ser de fronteira”, diz historiador sobre relações entre Acre, Bolívia e Peru

Em entrevista ao OPINIÃO, o historiador Marcos Vinicius Neves chamou a atenção para as relações mal estabelecidas entre o Acre e os países vizinhos, Bolívia e Peru, desde a Revolução Acreana, que tem seu início celebrado neste 6 de agosto.

Marcos falou sobre as relações entre o Acre e os países de fronteira (Foto: Hugo Costa)

“A guerra do Acre se resolveu com a Bolívia em 1903, com o Tratado de Petrópolis, e com o Peru em 1909 com o Tratado de Veneza, há mais de 100 anos. E ainda assim, a gente contínua de costas para os nossos vizinhos, Bolívia e Peru, como se eles ainda fossem nossos adversários”, destacou Neves.

Para o historiador, as relações atuais se assemelham as relações de disputa constituídas durante a Revolução Acreana, quando os brasileiros travaram uma guerra armada pela anexação do território acreano ao Brasil.

“É assustadora a completa ignorância que a gente cultiva todos os dias sobre o Peru e a Bolívia, ou pelo menos ao Departamento de Pando, que faz fronteira com a gente. É como se nós continuássemos sendo adversários ao invés de vizinhos. O Peru elegeu um novo presidente, que muda as relações com o Brasil, mas a gente continua ignorando esses processos políticos”, observa.

Ainda segundo Marcos Vinicius: “não basta estar geograficamente na fronteira, é preciso ser de fronteira. E partir daí, cultivar essas relações, porque os problemas que aconteceram nas cabeceiras do Rio Acre, nas terras Bolívia, vão afetar Rio Branco. Os problemas que acontecerem em nas bacias dos rios Envira, Tarauacá, Juruá [Peru], vão afetar o Acre. É até uma questão de sobrevivência, pois está muito claro para todos que os nossos problemas são comuns. Nós compartilhamos uma parte importante da Amazônia e não tratamos de forma conjunta dessa região”, alertou.