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Na prática, Boca do Acre é o maior destruidor da Amazônia em 2021

Todo levantamento de desmatamento e queimadas aponta para Lábrea, município do Amazonas, que faz divisa com Boca do Acre, como o grande culpado pela destruição da floresta amazônica.

Mas vamos analisar com cuidado. Qual é a região de Lábrea que mais desmata? O Sul do município. O que está no Sul de Lábrea? O Projeto de Assentamento do Monte. Quem tem propriedade rural no Monte? Bocacrenses. Então quem é que na prática desmata? Boca do Acre. Mas quem leva a fama ruim? Lábrea.

que, que emanaram grande quantidade de gás carbônico na atmosfera, vindas, em grande parte, da região do P.A Monte.

Na teoria, no mês de Agosto deste ano, quem mais desmatou a floresta amazônica foi o município de Lábrea, mas se fosse feita uma análise qualitativa, era flagrante que na prática, o município do Brasil que mais destruiu a Amazônia, foi Boca do Acre.

A realização de duas grandes operações da Polícia Federal, expôs o grave problema do aumento descontrolado do desmatamento e das queimadas num complexo e delicado ponto da região amazônica: a tríplice divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia. Ao mesmo tempo que sofre com as consequências do roubo de terras públicas, a região entre os três estados é cobiçada por políticos locais para se tornar uma zona de desenvolvimento do agronegócio no Norte do país, replicando o modelo do Matopiba: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Amacro
Para isso, o encontro geográfico entre os três estados amazônicos já tem até uma nomenclatura: Amacro, que é a união das siglas de Amazonas, Acre e Rondônia. Todavia, antes de se tornar uma potência do agronegócio, a tríplice divisa vem sendo preparada para receber o boi e a soja por meio do desmatamento, da invasão de terras públicas – incluindo unidades de conservação e terras indígenas –, das queimadas e da extração de madeiras para alimentar um segmento quase que todo ele operando na ilegalidade.

As divisas entre Acre, Amazonas e Rondônia atualmente já possuem terras abertas o suficiente para a criação de gado ou o cultivo de grãos. É verdade que uma parte está com o solo degradado, improdutivo. Porém, basta um pouco de políticas públicas para se investir em tecnologia, que é possível recuperá-las, ampliando a produção agrícola sem a necessidade de novos desmates. Ao invés disso, o mais barato é fazer mais desmatamento. A impunidade está garantida.

Organização criminosa em Boca do Acre
E não se trata de abertura de áreas feitas por grupos de movimentos sem-terra para ocupar um lote. É gente grande, já dona de verdadeiros latifúndios querendo ampliar suas posses. Foi o que revelou a operação Tayssu, realizada pela Polícia Federal na última quinta-feira (7), que descobriu a existência de uma organização criminosa formada por empresários e um ex-parlamentar do Acre, dono de grandes fazendas, para grilar terras da União no município amazonense de Boca do Acre.

O município do sul do Amazonas já é conhecido pelos intensos conflitos fundiários que, num passado nem tão distante, já resultaram em mortes, tentativas de homicídio e ameaças a quem ousa denunciar a indústria da invasão. E grande parte dessa invasão é feita por fazendeiros cujas propriedades começam no Acre, e cruzam a linha Cunha Gomes, que é o traçado imaginário que separa o estado do Amazonas. Os dois estados estão interligados pela BR-317, cujas margens já viraram pasto já faz muitas décadas.