O ex-prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, foi ouvido na tarde de terça-feira, 3, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público, da Câmara Municipal de Rio Branco. O petista está entre os convocados para tratar sobre os contratos entre o Executivo municipal e as empresas de ônibus.
O parlamentar destacou que quando assumiu a gestão notificou o consórcio sobre a necessidade de cumprimento das cláusulas contratuais, porém, não teve resultado tendo em vista que continuaram atuando da forma de sempre.
“Quando assumi, dia 1º de janeiro de 2005, com 40 dias, a gente percebeu que eles não estavam cumprindo com nada do que estava no contrato e o consórcio foi notificado da necessidade de cumprir as cláusulas contratuais. Depois de cinco meses percebemos que continuavam postergando e alegavam prejuízos. Foi encaminhado ofício notificando e nesse período fizemos reunião com os donos das empresas e eu disse que apesar de não ter contratado eles teriam que cumprir o acordo e que ia judicializar e eles não acreditaram e continuaram a não cumprir”, pontuou.
E acrescentou: “quando protocolei, vieram atrás [donos das empresas] de diálogo e falei que não ia retirar. Foi quando eles entraram com advogado, foram na Justiça com aquela história de que iam falir porque disseram que fomos muito agressivos no pedido. Me reuni com todos eles e propuseram se podiam assinar um TAC onde se comprometiam a cumprir quase todas as nossas as exigências da ação ordinária”, disse.
Angelim ressaltou que foi nesse momento que o município implementou a bilhetagem eletrônica, centro de controle operacional; “Conseguimos implantar na nossa gestão a bilhetagem eletrônica que facilitou o troco e isso deu maior transparência no número de usuários”, destacou Angelim.
Ao citar a cobrança da renovação da frota de ônibus, o ex-gestor frisou que chegou a ser ameaçado de morte. “Das quatro empresas, três cumpriram com a renovação da frota, mas a São Roque se negou. Com a negativa emiti um decreto de caducidade que é a extinção unilateral do contrato e isso causou a ira dos empresários, o que gerou a ameaça de morte, porém, eles foram embora”, disse.
Crise no transporte público
Problema antigo, a crise no transporte público em Rio Branco se intensificou em 2020. Em meio à essa crise, motoristas de ônibus fizeram protestos, paralisaram atividades e a população precisou buscar outras alternativas para o transporte. No entanto, após várias manifestações, os trabalhos da categoria foram retomados.
A situação se agravou ainda mais no final de 2021, após as empresas abandonarem as linhas que faziam as rotas em Rio Branco afetando cerca de 30 mil pessoas.
Depois disso, a empresa Ricco Transportes assumiu, de forma emergencial, no dia 13 de fevereiro de 2022, 31 linhas de ônibus em Rio Branco que foram abandonadas pela empresa Auto Aviação Floresta.
Nesta semana, a empresa assumiu as outras 12 linhas que restavam e se tornou a única a operar na capital.


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