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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Mulher que fingiu ser adolescente de 12 anos tem prisão preventiva decretada em Santa Catarina

Uma mulher de 37 anos que fingia ser uma adolescente de 12 anos teve a prisão preventiva decretada pela Justiça nesta quarta-feira (3), em Joinville, no Norte de Santa Catarina. A suspeita é investigada pelos crimes de falsa identidade e estelionato após enganar uma família por cerca de 14 meses, período em que viveu na residência das vítimas utilizando o nome falso de “Gabrielle”.

Segundo a Polícia Civil, a mulher criou uma complexa rede de histórias para sustentar a identidade falsa e conquistar a confiança das pessoas ao seu redor. Durante o período em que permaneceu na casa da família, localizada na região de Pirabeiraba, ela recebeu acolhimento, assistência financeira e apoio emocional.

As vítimas chegaram a desenvolver um forte vínculo afetivo com a suspeita, acreditando que estavam ajudando uma criança que teria sofrido diversos traumas ao longo da vida.

• A família custeou roupas e despesas pessoais;

• Comprou medicamentos para emagrecimento, incluindo o Mounjaro;

• Ofereceu moradia e alimentação;

• Prestou apoio emocional diante dos relatos apresentados pela suposta adolescente.

A investigação teve início na última sexta-feira (29), quando um dos integrantes da família procurou a delegacia após receber um alerta de uma parente informando que a adolescente acolhida poderia ser, na verdade, uma mulher adulta.

Inicialmente, o homem não acreditou na denúncia. No entanto, ao realizar pesquisas na internet, encontrou registros e reportagens envolvendo uma mulher com características semelhantes e histórico de ocorrências em outros estados.

Após a comunicação do caso, a Polícia Civil iniciou diligências para confirmar a verdadeira identidade da suspeita. Com a coleta das informações e a confirmação dos dados, os investigadores foram até a residência onde ela estava hospedada e efetuaram a prisão.

Golpes semelhantes em vários estados

De acordo com a polícia, a mulher possui antecedentes relacionados a situações semelhantes em diferentes regiões do país.

• São Paulo;

• Rio de Janeiro;

• Minas Gerais;

• Rio Grande do Sul;

• Goiás.

As investigações apontam que ela utilizava narrativas comoventes para sensibilizar pessoas, conquistar confiança e obter acolhimento e benefícios materiais.

História construída para enganar vítimas

Segundo o delegado Rodrigo Gusso, responsável pelo caso, a aproximação com a família ocorreu por meio de uma igreja da região. A mulher procurou ajuda alegando ser natural do Pará e relatando uma série de episódios traumáticos que teriam marcado sua infância.

Entre as histórias apresentadas, ela afirmava ter sido vítima de abusos e alegava ter passado por situações extremas durante a adolescência. Para justificar sua aparência física incompatível com a idade informada, dizia ter sido obrigada a tomar hormônios quando mais jovem.

O pastor e outros membros da igreja acabaram se sensibilizando com os relatos e passaram a ajudá-la. Com o passar do tempo, a mulher foi acolhida pela família e passou a viver no imóvel.

Comportamento infantilizado reforçava a falsa identidade

Conforme a investigação, a suspeita mantinha uma rotina cuidadosamente construída para sustentar a personagem criada.

• Utilizava chupetas;

• Fazia uso de mamadeiras;

• Dormia com cobertores infantis;

• Adotava comportamentos associados à infância.

Segundo o delegado, a estratégia contribuiu para fortalecer o vínculo emocional com os moradores da residência, que acreditavam estar protegendo uma menina em situação de vulnerabilidade.

A relação chegou a um ponto em que a família organizou uma festa de aniversário de 12 anos para a suposta adolescente.

Durante as investigações, a Polícia Civil classificou a situação como uma espécie de “sequestro emocional”, já que as vítimas desenvolveram laços afetivos profundos com a mulher e passaram a agir como responsáveis por ela.

Confissão e encaminhamento ao presídio

Durante o interrogatório, a suspeita confessou os fatos perante a autoridade policial. Após os procedimentos legais, ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça.

A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar possíveis novas vítimas e apurar a extensão dos prejuízos causados pela mulher, tanto em Santa Catarina quanto em outros estados onde ela já teria aplicado golpes semelhantes.

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