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quarta-feira, 17 de junho de 2026
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MPSC denuncia 14 suspeitos de integrar organização neonazista em três estados

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou à Justiça denúncia contra 14 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa neonazista com atuação em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A ação penal foi protocolada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital e aguarda decisão do Poder Judiciário sobre o recebimento da denúncia.

Todos os investigados foram denunciados pelo crime de organização criminosa. Além disso, oito deles também responderão por racismo e apologia ao nazismo, conforme apontam as investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Entre os denunciados estão o suposto líder do grupo, identificado internamente pelos integrantes como o “Führer brasileiro”, seu principal colaborador, uma escrivã da Polícia Civil, um policial militar do Estado de São Paulo e um advogado, apontado pelas investigações como integrante ativo e responsável pelo suporte jurídico da organização.

A denúncia é resultado da Operação Nuremberg, conduzida em conjunto pelas 39ª e 40ª Promotorias de Justiça da Capital, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do CyberGAECO.

Estrutura organizada e regras internas

Segundo o Ministério Público, o grupo possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções, regras rígidas e mecanismos de financiamento. Os integrantes se autodenominavam neonazistas e utilizavam o chamado “Sol Negro”, símbolo associado ao extremismo nazista e à ideologia de supremacia ariana, adaptado com a imagem de um fuzil em seu centro.

As investigações apontam que novos membros precisavam passar por um processo de cadastramento e, após serem aceitos, participavam de um “batismo” interno. Os integrantes recebiam camisetas exclusivas e eram obrigados a pagar mensalidades, utilizadas para custear atividades e materiais de propaganda ideológica.

Atuação na internet e planejamento de ataques

De acordo com o MPSC, a organização promovia encontros presenciais periódicos para discutir estratégias de expansão e recrutamento. Os integrantes também planejavam ações coordenadas nas ruas para perseguir e agredir pessoas consideradas adversárias ideológicas.

As apurações ainda identificaram a elaboração de dossiês com informações de possíveis alvos, além da utilização de fóruns na internet e perfis falsos para a disseminação de discursos de ódio e conteúdos de cunho extremista.

Para dificultar a atuação das autoridades, as lideranças do grupo forneciam orientações de segurança digital e técnicas de criptografia aos demais integrantes, com o objetivo de evitar o rastreamento das atividades ilegais.

Operação cumpriu mandados em quatro estados

A Operação Nuremberg foi deflagrada em 31 de outubro de 2025 e mobilizou equipes do GAECO e do CyberGAECO para o cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.

Durante as diligências, foram apreendidos materiais de apologia ao nazismo, além de armas brancas, facas e socos-ingleses.

O nome da operação faz referência aos Julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial para responsabilizar líderes do regime nazista por crimes contra a humanidade, simbolizando o enfrentamento ao extremismo violento e à intolerância.