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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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MPAC reúne profissionais da imprensa para discutir formas de se noticiar suicídio

MPAC reúne profissionais da imprensa para discutir formas de se noticiar suicídio

Como parte da programação da 9ª edição do Prêmio de Jornalismo do MPAC e em alusão à campanha ‘Setembro Amarelo’, foi realizada, nesta segunda-feira (24), a roda de conversa ‘Diálogos sobre o suicídio’. O evento reuniu integrantes do Ministério Público, profissionais da saúde e jornalistas no Espaço Amarelo localizado em uma das salas do Via Verde Shopping, em Rio Branco.

A intenção foi traçar uma estratégia de conscientização, prevenção e mobilização quanto a uma forma mais humana e menos prejudicial de se noticiar casos de suicídio na mídia e a postura dos veículos de comunicação ao transmitir os fatos.

“A gente buscou mostrar aos jornalistas a importância e a responsabilidade que eles têm dentro do tema, pois são formadores de opinião”, destaca a coordenadora do Centro de Apoio Operacional (Caop) de Defesa da Saúde, Pessoa Idosa e Pessoa com Deficiência, procuradora Gilcely Evangelista, que também coordena o Centro de Especialidades em Saúde do MPAC (CES).

Suicídio por imitação

Desde a década de 70, estudos evidenciam que a divulgação inadequada da notícia de suicídio pode aumentar as taxas. Previstas pela Organização Mundial de Sáude (OMS), algumas medidas são fundamentais para uma informação coerente, que evite, sobretudo, o efeito ‘Werther’, que é quando o número de suicídios é maior após uma ocorrência divulgada de forma ampla e sensacionalista ou após o suicídio de alguém famoso.

“Trata-se do suicídio por imitação. Não é que ver uma notícia sobre um caso vai levar a pessoa a praticar o ato. O que ocorre é que existem pessoas que já estão predispostas, passando por crises, pensando idéias suicidas e, quando colocadas em frente a uma matéria que diz como a pessoa executou, o que ela fez, os passos, isso pode ser um disparador”, explica a jornalista e professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), Juliana Lofêgo.

Medidas como evitar espetacularizar ou romantizar o ato do suicídio ou demonstrar que a prática possa ser uma resposta aceitável às adversidades da vida foi um dos pontos elencados pela jornalista, além de evitar incluir o método, local ou detalhes da pessoa que praticou o ato e limitar as informações aos fatos que o público precisa saber.

Segundo ela, por muito tempo, a imprensa viveu esse tabu. “Só se podia noticiar casos de celebridade. Mas acredito que a gente tem que divulgar sim, porém, da forma correta, com bastante cuidado, de preferência, colocando caminhos para evitar, formas de se aproximar, abordando saúde mental e prevenção, como perceber que a pessoa está entrando em depressão”, destaca.

Para a psicóloga Lenira Pontes, do MPAC, existem alguns traços para se identificar uma pessoa com predisposição ao suicídio, porém, nem sempre eles estão presentes. “Há muitos mitos e verdades, por exemplo, que se a pessoa está falando que vai se matar, ela não tem real intenção disso ou está fazendo drama, e não é assim que acontece. Existem sutilezas que o profissional precisa estar atento para identificar. A questão é que nem sempre as pessoas procuram ajuda profissional”.

Na ocasião, a jornalista Juliana Lofêgo ponderou, ainda, que é preciso ter mais empatia e que, nos dias de hoje, todo mundo é um formador de opinião em potencial com o celular na mão. “As pessoas divulgam coisas absurdas, fotos da vítima, detalhes da situação. Isso tem que se evitar por respeito ao ser humano, à família, à pessoa. O limite é da humanidade mesmo, do respeito ao outro”.