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quinta-feira, 20 de agosto de 2026
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Moscou anuncia corredores humanitários até Rússia e Belarus, mas Ucrânia rejeita

A Ucrânia rejeitou nesta segunda (7) o anúncio feito pela Rússia para a abertura de novos corredores humanitários. Mais cedo, Moscou informou que planeja abrir caminho para que civis saiam do país com destino à Rússia ou à Belarus.

Segundo a vice-primeira-ministra da Ucrânia, Irina Vereschuk, a abertura das rotas para a Rússia ou para o país vizinho aliado de Moscou é uma tentativa de manipular a opinião internacional, sobretudo a do presidente da França, Emmanuel Macron, que telefonou ao líder russo, Vladimir Putin.

“[O corredor] não é uma opção aceitável”, disse Vereschuk. “Espero que Macron entenda que seu nome e seu desejo sincero de ajudar estão na realidade sendo manipulados pela Federação Russa”, disse ela.

Mulher recebe ajuda de militares ucranianos para atravessar ponte destruída em Irpin, na Ucrânia
Mulher recebe ajuda de militares ucranianos para atravessar ponte destruída em Irpin, na Ucrânia – Aris Messinis – 5.mar.22/AFP

Além de acusar Moscou de tentar manipular a opinião pública, o governo ucraniano também classificou a iniciativa como “imoral” porque a Rússia se propõe a levar os civis para seu território.

“Esta é uma história completamente imoral. O sofrimento das pessoas é usado para criar a imagem desejada para a televisão. Estes são cidadãos da Ucrânia, eles devem ter o direito de ser deslocados para o território da Ucrânia”, disse um porta-voz do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.

O plano para cessar-fogo e retirada de civis seria viabilizado, em tese, às 10h no horário de Moscou (4h no horário de Brasília). Igor Konachenkov, porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, disse que, ao todo, seis corredores humanitários seriam abertos em cidades ucranianas para permitir que civis escapassem.

Entre as regiões incluídas no plano russo estão a capital, Kiev, além de Kharkiv e Sumi, a leste, e a cidade portuária de Mariupol. Há desconfiança, entretanto, em relação à eficiência da operação. Dois acordos para cessar-fogo em Mariupol e na cidade vizinha de Volnovakha falharam nos últimos dois dias, com ambos os lados se acusando de descumprir o combinado.

Enquanto anuncia planos para a retirada de civis em Kiev, a Rússia “acumula recursos” para atacar a cidade, disse nesta segunda, em nota, as Forças Armadas da Ucrânia. “Além disso, o inimigo continua a operação ofensiva contra o país, focada nos arredores de Kiev, Kharkiv, Tchernigov, Sumi e Mikolaiv.”

Na capital, soldados ucranianos foram vistos se preparando para um possível confronto contra os russos. Eles armaram explosivos no que dizem ser a última ponte intacta no caminho das forças de Putin.

“A capital está se preparando para se defender”, disse o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko. “Kiev vai resistir!”

No sul, autoridades militares ucranianas disseram que a Rússia bombardeou a região de Tuzli, nas proximidades de Odessa, danificando “equipamentos de infraestrutura cruciais”, mas sem deixar feridos.

A invasão de Odessa começou a se configurar neste domingo (6). Principal porto ucraniano no mar Negro, a cidade está no alvo de forças de Putin a leste, e, caso seja dominada, Moscou terá estabelecido o controle sobre quase toda a costa do mar Negro, fechando o acesso ucraniano a ele.

De acordo com o Ministério da Defesa do Reino Unido, forças russas provavelmente estão mirando a infraestrutura de comunicação ucraniana para reduzir o acesso a fontes de notícias confiáveis. “O acesso ucraniano à internet provavelmente também será interrompido”, disse em comunicado.

Em Kharkiv, bombas russas atingiram uma universidade e um prédio residencial. Outras áreas atingidas foram a cidade de Tchernihiv, ao norte, Mikolaiv, ao sul, de acordo com o conselheiro da Presidência ucraniana, Oleksi Arestovitch. Em Tchernihiv, a cidade foi bombardeada em todas as suas regiões. Arestovitch classificou de “catastrófica” a situação dos subúrbios de Kiev, como Bucha, Irpin e Hostomel, onde, nesta última, o prefeito Iuri Illich Prilipko foi morto durante um ataque russo enquanto, de acordo com a prefeitura da cidade, distribuía pão e remédios a doente.

Em Lugansk, sob o controle de separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, uma forte explosão provocou um incêndio em um depósito de petróleo, segundo a agência de notícias russa Interfax.

O Acnur, a agência da ONU para refugiados, divulgou neste domingo que o número de pessoas fugindo do conflito na Ucrânia ultrapassou a marca de 1,5 milhão, configurando assim a crise de refugiados que mais cresce desde a Segunda Guerra Mundial.

Nesta segunda, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, anunciou que a Cruz Vermelha da China fornecerá ajuda humanitária à Ucrânia e reiterou pedido para que as negociações continuem. Ele disse também que a amizade do país com a Rússia é “sólida como uma rocha” e que a cooperação mútua traz “benefícios e bem-estar para os dois povos”.

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