Rio Branco
24°C
domingo, 5 de julho de 2026
08:31

Morte de paciente infectada com HIV após transplante expõe falhas em exames no RJ

Uma mulher de 64 anos que contraiu HIV após um transplante de órgão no Rio de Janeiro morreu no dia 18 de março. O caso está relacionado a uma série de infecções provocadas por exames com resultado falso negativo, realizados por um laboratório que está sob investigação.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a paciente estava internada em uma unidade especializada e vinha recebendo acompanhamento contínuo por equipes multidisciplinares ao longo de cerca de um ano e cinco meses. A causa da morte ainda não foi confirmada.

A identidade da vítima não foi divulgada. O governo estadual informou que a mulher havia sido indenizada em julho do ano passado e que o suporte psicológico aos familiares será mantido.

Exames falhos levaram à infecção

A paciente fazia parte de um grupo de seis pessoas que foram contaminadas com o vírus após transplantes realizados com órgãos infectados. Nenhuma delas apresentava HIV antes dos procedimentos.

As investigações apontam que laudos incorretos, emitidos pelo laboratório responsável pelas análises dos doadores, indicavam ausência do vírus. Com isso, órgãos contaminados acabaram sendo utilizados nas cirurgias.

O caso veio à tona em 2024 e provocou grande repercussão ao revelar falhas graves nos protocolos de segurança.

Investigação e responsabilização

Após a descoberta, as atividades do laboratório foram suspensas e os exames passaram a ser realizados por outra instituição pública. A Secretaria de Saúde instaurou uma sindicância para apurar responsabilidades e acompanhar os pacientes afetados.

Segundo as apurações, mudanças em protocolos internos e falhas no controle de qualidade podem ter contribuído para os resultados incorretos.

O Ministério Público denunciou sócios e funcionários do laboratório por crimes como associação criminosa, lesão corporal grave e falsidade ideológica. O processo segue em tramitação na Justiça.

Repercussão e mudanças

O episódio levou à revisão de protocolos e ao reforço na fiscalização de exames laboratoriais relacionados a transplantes no estado. O objetivo é evitar que falhas semelhantes voltem a ocorrer e garantir maior segurança aos pacientes.