Há quase cinco meses, a aposentada Luzia Ferreira da Silva, de 69 anos, moradora de Boca do Acre, no sul do Amazonas, aguarda a realização de uma cirurgia de alta complexidade para correção de um aneurisma de aorta. O procedimento não é realizado na rede pública onde ela recebeu atendimento e depende de uma transferência interestadual por meio do programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
Desde fevereiro deste ano, quando recebeu o diagnóstico, Luzia passou por consultas com especialista em cirurgia vascular e realizou todos os exames necessários para avaliação do risco cirúrgico. Após essa etapa, foi iniciado o processo de regulação para encaminhamento a um hospital de referência.
Segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), mais de 30 hospitais em diferentes estados brasileiros já foram consultados na tentativa de conseguir uma vaga para a paciente. Até o momento, porém, nenhuma unidade confirmou disponibilidade para receber a idosa e realizar a cirurgia.
Família relata angústia diante da espera
A demora tem aumentado a preocupação da família, que acompanha diariamente a evolução do caso.
A filha da paciente, Raimunda Silva de Lima, conta que a família vive uma verdadeira corrida contra o tempo desde o diagnóstico.
“Em fevereiro minha mãe deu entrada no hospital, foi avaliada pelos médicos e recebemos a informação de que a cirurgia não poderia ser realizada aqui. Desde então, entregamos toda a documentação exigida pelo TFD e estamos aguardando uma resposta.”
Segundo Raimunda, em determinado momento surgiu a expectativa de que a transferência fosse realizada para um hospital em Fortaleza, mas o processo não avançou.
“Disseram que estava tudo certo e que só aguardavam uma vaga. Depois disso, não tivemos mais nenhuma atualização positiva.”
Mais de 30 hospitais foram consultados
Conforme a família, os contatos com os órgãos responsáveis são frequentes. Entretanto, a resposta permanece a mesma: toda a documentação está regular, mas ainda não foi encontrada uma unidade hospitalar que aceite o caso.
“Nos informaram que mais de 30 hospitais foram procurados e que nenhum aceitou o caso até agora. Sempre que vamos ao setor responsável, nos dizem que a documentação está correta e que a única pendência é encontrar um hospital que aceite receber minha mãe.”
Além da preocupação com a saúde da aposentada, a situação também trouxe impactos emocionais e financeiros para a família. Raimunda afirma que precisou interromper suas atividades profissionais para acompanhar o processo e buscar alternativas.
“Já são quase cinco meses nessa luta. Deixei de trabalhar para acompanhar tudo de perto. A gente procura ajuda, busca informações e tenta alternativas, mas até agora nada foi resolvido.”
Família também buscou apoio no Amazonas
Na tentativa de acelerar o atendimento, a família procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Boca do Acre após receber informações de que hospitais do Amazonas realizam esse tipo de cirurgia. No entanto, segundo Raimunda, não houve retorno aos contatos realizados.
“Procurei conversar com o secretário de Saúde, mas não consegui encontrá-lo pessoalmente. Enviei mensagens e não obtive resposta. Continuamos aguardando.”
Sesacre diz que busca vaga em hospital de referência
Em nota, a Sesacre informou que continua realizando todas as tratativas necessárias para viabilizar o atendimento especializado da paciente.
Segundo a secretaria, a transferência depende da disponibilidade de leitos e da aceitação do caso por um hospital de referência, conforme os protocolos nacionais de regulação interestadual.
Enquanto a vaga não é disponibilizada, familiares e amigos seguem acompanhando o caso com esperança de que o procedimento seja realizado o quanto antes.
“Hoje estamos esperando um milagre. É uma situação muito difícil para toda a nossa família.”


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