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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Monte continua queimando e intoxicando Boca do Acre e Lábrea

Fogo e fumaça tomam conta da cidade; quem deveria preservar agora destrói.

Boca do Acre, uma cidade que até ontem era um refúgio de paz e natureza exuberante, hoje se encontra sufocada pela fumaça das queimadas. A origem deste pesadelo? O famigerado Projeto de Assentamento Monte, uma área entre Lábrea e Boca do Acre, que tem se tornado um verdadeiro arco do fogo, devastando a floresta.

O Jornal Opinião realizou uma expedição pela área e presenciou cenas de destruição e desolação. No Ramal do Aristeu, uma vasta extensão de terra ainda fumegava, as cinzas e o cheiro acre do fogo que havia consumido tudo na noite anterior denunciavam a intensidade do incêndio. A vegetação, antes verdejante, agora era um mar de cinzas e troncos chamuscados, como se o próprio inferno tivesse se instalado ali.

Mas o que realmente choca é que esses incêndios não são incidentes isolados. Eles são resultado de práticas deliberadas e recorrentes de quem deveria zelar pela terra. Os próprios assentados, aqueles que vivem e dependem da floresta, agora se tornam os algozes do ecossistema. E o que dizer do agro? Será que ainda podemos dizer que o agro é pop, ou ele se tornou um monstro devastador, escondido sob o manto de desenvolvimento e progresso?

Durante nossa jornada, era impossível não se perguntar: Onde estão as promessas de sustentabilidade e preservação? A realidade é que as queimadas se tornaram uma ferramenta cruel para expandir a fronteira agrícola, devastando milhares de hectares em nome de um progresso que envenena a própria terra que o sustenta.

Não é mais a indústria que envenena o ar que respiramos, mas sim o fogo que se alastra pelas mãos de quem vive e trabalha na floresta. Antes, eram as chaminés das fábricas que comprometiam nossa atmosfera; agora, é o próprio homem do campo que, em nome de um desenvolvimento questionável, destrói a floresta que lhe dá sustento.

Até quando Boca do Acre suportará este ataque constante? A fumaça que cobre a cidade não é apenas uma consequência das queimadas, mas um símbolo do colapso de um modelo que falha em proteger a floresta e seus habitantes. A cada nova chama, um pouco mais da Amazônia é consumida, e a promessa de um futuro sustentável se torna mais distante.

Boca do Acre está de luto, e não é apenas pela perda das árvores, mas pelo desmoronamento de um sonho, de um futuro onde homem e floresta convivem em harmonia. O que resta agora é o clamor por ação, por uma resposta urgente e eficaz para salvar o que ainda pode ser salvo. O agro é pop? Ou ele é a mão que incendeia o futuro? A resposta, infelizmente, já sentimos no ar.