Criado a há 50 anos para lembrar as lutas e conquistas do povo e cultura negra, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), no Acre, contou com uma atividade promovida pelo Movimento Negro Unificado, compondo ainda a programação do Festival Cabeça de Nega.

A atividade promovida na manhã deste sábado, 20, na sede da Escola de Samba Sambase, em Rio Branco, contou com a presença de integrantes do MNU, lideranças comunitárias, Associação de Mulheres Negras, do deputado federal Leo de Brito, presidentes do Instituto Mulheres da Amazônia (IMA) e dirigentes espirituais da Umbanda e Candomblé.
Celebrado em todo o país, o Dia da Consciência Negra é um marco no calendário da luta ancestral de um povo, que é vítima do racismo, do preconceito e da falta de políticas públicas ainda nos dias de hoje.
“O MNU é um movimento que tem 43 anos e participou ativamente em todos os momentos de retomada do nosso país. O Movimento Negro luta bem antes da abolição, pois a abolição não se deu por mérito da princesa Isabel, já havia toda uma luta do povo negro pela liberdade”, destacou a coordenadora do MNU/AC, Maria Santiago, observando ainda que “a luta central do MNU é o combate racismo e a inclusão da população negra nos espaços de poder”.

Em sua fala, Santiago também denunciou os ataques sofridos por homens e mulheres negras que ocupam espaços de poder na política. “A gente elegeu bancadas significativas nesse Brasil afora, de candidatos e candidatas negras e que hoje vêm sofrendo todo tipo de ataque”, frisou.
A sacerdotisa de Candomblé, que é dirigente de um terreiro em Xapuri, no interior do Acre, Mãe Awraomi abriu os diálogos com a apresentação de uma ladainha – canto da capoeira – em homenagem a Zumbi dos Palmares e Dandara, e relatou o preconceito enfrentado por candomblecista na sociedade.
“Em todo o Brasil estão havendo manifestações de #ForaBolsonaroRacista porque nós temos um racista, hoje, sentado na Presidência da República e nós temos que tirar ele de lá, pois os açoites estão aí todos os dias. A simbólica abolição da escravatura foi simbólica porque os açoites persistem nas diferenças salariais, nos desempregos que assolam os brasileiros (64% negros), no extermínio, no ataque a liberdade das religiões de matriz africana. E que quero dizer que sou um aliado de vocês! Vida longa ao Movimento Negro Unificado”, salientou o deputado Leo de Brito.

A atividade encerrou às margens do Rio Acre com uma recitação poética de artistas e grafiteiros que estão produzindo um painel especial do Festival Cabeça de Nega –projeto criado, proposto e produzido pela artista Camila Cabeça, que foi aprovado pelo Edital de Produção e Eventos Consolidados/ Inéditos nº 007/2020 do Governo do Estado do Acre, por meio da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM) com fonte de recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc.


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