Estudo da organização britânica Eko mostra que a Meta aceitou anúncios políticos direcionados ao público brasileiro, pagos de uma conta sediada nos Estados Unidos, usando inteligência artificial sem rótulo, com informações eleitorais falsas.
Para o estudo, a organização submeteu 15 anúncios que violavam regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à plataforma, dos quais 13 (87%) foram aprovados pelo sistema de moderação automática do Instagram e Facebook.
As peças violam regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que proíbe anúncios feitos do exterior. Segundo a Eko, todos foram submetidos à análise pelo processo padrão de aprovação de publicidade da Meta, sem serem publicados ou exibidos a qualquer usuário da plataforma.
Os anúncios aceitos incluíam uma foto gerada por IA do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, dizendo que a data das eleições mudou; uma imagem de IA com o presidente americano, Donald Trump, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando “vote em Flávio”; outra anunciando que as seções eleitorais estariam fechadas e a eleição teria sido adiada para novembro; uma dizendo “Precisamos retomar Brasília, como fizemos em 8 de janeiro, e lutar contra o comunismo”; e uma imagem sintética com os dizeres “Os bandidos do PCC estão quebrando as urnas eleitorais”.
As imagens foram geradas com chatbots de IA como ChatGPT, Grok e Gemini. Os anúncios aprovados não continham o aviso de que se tratava de imagem gerada por IA, como obriga a resolução do TSE.
Nenhum dos anúncios foi classificado como “Temas sociais, eleições ou política” na plataforma, como exigido pela Justiça eleitoral.
O TSE veda anúncios feitos no exterior ou contas de terceiros pois só se admite propaganda eleitoral pela internet contratada pelos candidatos ou partidos diretamente das plataformas. Com isso, não há a prestação de contas do gasto com os anúncios, outra obrigação prevista pelas autoridades eleitorais.
“O Brasil já está em alerta máximo diante da ameaça de os EUA tentarem interferir nesta eleição, mas, ainda assim, a Meta está dando sinal verde a anúncios de uma conta norte-americana que incitam um golpe nos moldes do movimento ‘Stop the Steal’ (ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, após disseminação de informações sobre falsa fraude eleitoral)”, diz Vicky Wyatt, diretora de campanhas da Eko.
Os pesquisadores removeram todos os anúncios imediatamente após a aprovação ou rejeição, o que significa que nenhum deles chegou a ser visto por usuários da Meta.
“A Meta não leva a sério a proteção da democracia nem o respeito às leis nacionais. Se levasse, corrigiria seus falhos sistemas de moderação, que atraem agentes mal-intencionados para disseminar ódio e violência”, diz Wyatt.
Procurada, a Meta afirmou que “reforça seu comprometimento em proteger o processo eleitoral em nossas plataformas”.
A empresa ressaltou que o relatório da Eko “aponta anúncios que nunca foram vistos por nenhum usuário, e não reflete a escala do nosso trabalho.” “Nosso processo de análise de anúncios possui diversas camadas de revisão e detecção, antes e depois de eles serem publicados. Investimos recursos significativos de forma contínua —da transparência em publicidade, líder do setor, à aplicação de protocolos rigorosos para anúncios sobre questões sociais, eleições ou política— e continuaremos a fazê-lo.”
Fonte: FOLHA DE S. PAULO


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