Os ativos de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos começaram a segunda-feira (5) em forte alta, antes da abertura da Bolsa brasileira. O movimento ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que levou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno.
O destaque ficou com o EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras. No pré-market, o ativo avançava 12,31%, sendo negociado a US$ 42,89.
XP, PagBank e Stone lideram altas
Entre os recibos de empresas brasileiras negociados no mercado americano, as maiores valorizações eram registradas por XP, PagBank e Stone.
A XP subia 15,26%, enquanto os papéis do PagBank avançavam 13,64%. A Stone aparecia logo depois, com alta de 11,31%.
Os recibos da Petrobras também registravam alta superior a 10%, com valorização de 10,72%. Itaú e Nubank avançavam 10,24% e 10,20%, respectivamente.
Outras empresas brasileiras também apresentavam ganhos expressivos. A Vale subia 7,78%, Bradesco avançava 7,12% e Embraer registrava alta de 6,37%. Entre os ativos acompanhados, a Suzano apresentava a menor valorização, de 1,76%.
Resultado eleitoral movimenta os mercados
A reação dos ativos ocorreu depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença entre os dois candidatos foi de 1,87 ponto percentual.
Com o resultado, os dois candidatos voltam a disputar a Presidência no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O desempenho de Flávio ficou acima do que vinha sendo indicado por parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha, que apontavam Lula numericamente à frente em diferentes levantamentos.
Congresso também entra no radar
Além da disputa pelo Palácio do Planalto, investidores acompanham a composição do Congresso Nacional, que poderá influenciar a aprovação de medidas econômicas durante o próximo governo.
O PL terminou a eleição com 121 deputados federais e passou a formar a maior bancada da Câmara. No Senado, a legenda chegou a 28 cadeiras, considerando as vagas definidas na eleição.
A nova composição do Legislativo será um dos fatores observados pelo mercado na avaliação sobre as condições políticas para a aprovação de propostas econômicas e fiscais.
Dólar e juros ficam no radar
O câmbio também deve reagir às novas informações sobre a disputa presidencial. A avaliação dos investidores tende a considerar as propostas econômicas apresentadas pelos candidatos, especialmente em relação às contas públicas e à trajetória da dívida.
Segundo avaliação atribuída à Goldman Sachs, um resultado eleitoral interpretado pelo mercado como favorável a uma política fiscal mais restritiva poderia levar o dólar para uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80.
Com o segundo turno ainda em aberto, o mercado deve acompanhar pesquisas, declarações dos candidatos, alianças políticas e propostas econômicas ao longo das próximas semanas. A expectativa é de que esses fatores influenciem a cotação do dólar e o preço dos ativos brasileiros até a votação de 25 de outubro.
O dólar futuro começa a ser negociado às 9h, enquanto a B3 inicia as operações às 10h, no horário de Brasília. A abertura do mercado brasileiro deverá mostrar se a valorização observada no exterior será acompanhada pelos ativos negociados no país.


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