Uma das maiores organizações neonazistas em atividade no Brasil foi alvo de uma operação policial com desdobramentos em Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe. A ação, chamada Operação Nuremberg, foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e cumpriu 21 mandados de busca e apreensão, sendo dois deles nas cidades catarinenses de Cocal do Sul e Jaraguá do Sul.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Regional de Garantias de Criciúma e pela Vara Estadual das Organizações Criminosas. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o grupo investigado é considerado um dos mais violentos do país. Ele é acusado de promover discursos de ódio, antissemitismo, apologia ao nazismo e planejar atos violentos em diferentes regiões do Brasil.
Cidades abrangidas pela operação
- Santa Catarina: Cocal do Sul, Jaraguá do Sul
- São Paulo: São Paulo, Campinas, Taboão da Serra, Osasco
- Paraná: São José dos Pinhais, Curitiba, Araucária
- Sergipe: Aracaju
Estrutura e funcionamento do grupo
O grupo possui uma estrutura hierarquizada, com fichas de ingresso, produção de camisetas exclusivas e cobrança de mensalidade obrigatória dos membros “batizados”. Esses valores eram destinados ao custear despesas internas, materiais de propaganda e manutenção das atividades.
Além das ações presenciais, os integrantes atuavam fortemente no ambiente digital. O CyberGaeco identificou que eles utilizavam perfis falsos e fóruns online para disseminar a ideologia neonazista e recrutar novos membros. Parte dos criminosos possuía diferentes formações e ocupações, o que facilitava a propagação da ideologia em diversos setores da sociedade.
Rituais e símbolos
Os integrantes se autodenominam “skinheads neonazistas” e utilizam o símbolo “Sol Negro”, associado ao ocultismo nazista e à supremacia ariana, com o desenho de um fuzil AK-47 ao centro. O grupo realizava encontros presenciais frequentes para debater a ideologia, planejar ações e confrontos com grupos ideologicamente opostos.
Os membros participavam de cerimônias de “batismo”, um ritual de iniciação voltado à admissão de novos integrantes. O objetivo dessas cerimônias era fortalecer os laços internos, reafirmar o compromisso com a ideologia extremista e garantir a coesão do grupo, essencial para a expansão da organização.
Contexto histórico da operação
O nome “Operação Nuremberg” faz alusão aos Julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial, que marcaram a responsabilização de indivíduos por crimes de ódio, extremismo e intolerância. A escolha do nome reflete simbolicamente o propósito da ação policial: enfrentar grupos extremistas que propagam ideologias violentas e atentam contra a ordem pública e o Estado Democrático de Direito.
Próximos passos da investigação
Os materiais apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, que realizará exames e emitirá os laudos periciais. Essas evidências serão analisadas pelo CyberGaeco para dar prosseguimento às investigações, identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a extensão da rede criminosa. O Gaeco informou que as investigações seguem sob sigilo, e novas informações poderão ser divulgadas assim que houver publicidade dos autos.



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