Mais uma vítima da explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, não resistiu aos ferimentos causados pelo acidente e morreu. Valdir Torquato da Silva, de 51 anos, faleceu na madrugada da última quinta-feira, 27, no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, Minas Gerais (MG), depois que um dos rins dele sofreu paralisia total. Com isso, a tragédia que ocorreu no dia sete deste mês já fez cinco vítimas fatais das 18 pessoas feridas durante o incêndio.
De acordo com a família do homem, que teve 80% do corpo queimado pela fatalidade e foi transferido para a capital mineira no dia 11 deste mês, ele iria passar por um transplante de rim quando apresentasse melhora do quadro clínico. O homem, que tem 16 filhos e morava na cidade de Marechal Thaumaturgo, já passava por hemodiálise desde a semana passada, os médicos realizavam exames na irmã que acompanhava ele fora do estado para verificar a compatibilidade.
Irmã de Silva, Eliete Rodrigues da Silva, 21 anos, disse em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Acre que não há previsão de quando o corpo do irmão deve ser trazido ao Acre. Ela disse que está em processo para os trâmites legais. “Estou péssima, correndo em busca de fazer os procedimentos de reconhecimento do corpo entre outras coisas. Vamos ver como vai ficar, se ele vai para Cruzeiro do Sul ou Marechal Thaumaturgo. O neném está bem e a esposa dele está reagindo bem”.
Além da vítima, o filho dele, Paulo Vítor da Silva, que teve 25% do corpo queimado, também está recebendo tratamento no Hospital João XXIII. Segundo a unidade de saúde mineira, a criança é a única pessoa das que foram transferidas para o local que já teve um processo de melhora no estado de saúde mais confortável, apresentando um bom quadro clínico. A mulher do homem, Jucicleide Ferreira da Silva, 42 anos, está internada no Hospital Estadual de Urgência do Noroeste de Goiânia (Hugol), referência nacional em cuidados de queimaduras.
Fora o filho do homem morto na madrugada de quinta-feira, Umberto da Conceição de Oliveira, 38 anos, Francisco Luna dos Santos, 46 anos, e José Ortenízio Souza da Conceição, de 39 anos, continuam em tratamento no Hospital João XXII. Outras quatro vítimas da explosão estão em tratamento na Unidade de Queimados do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, Distrito Federal (DF). Outras três pessoas que tiveram ferimentos mais leves e não precisaram ser transferidas para unidades especializadas fora do Acre já tiveram alta médica e estão em casa.
Mortes
Com a morte de Valdir Torquato da Silva, o número de vítimas fatais da explosão subiu para cinco. O primeiro óbito causado pela tragédia foi o de Simone Souza Rocha, de 24 anos. Ela foi uma das 18 vítimas atingidas pela explosão da embarcação e morreu no dia 9 deste mês após uma parada cardiorrespiratória no Hospital Regional do Juruá. Já a segunda morte aconteceu no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, no dia 11. Marluce Silva dos Santos, de 38 anos, faleceu após complicações renais e piora do quadro clínico, o que impediu a transferência dela para Minas Gerais. Ela foi velada e sepultada na segunda maior cidade do Acre sob forte comoção.
No dia 15 deste mês uma bebê e um homem que ficaram feridos no acidente também não resistiram aos ferimentos e morreram. A pequena Yohana Silva, de 9 meses, morreu no Hospital da Criança, em Rio Branco, após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias. A criança já tinha perdido a mãe, Marluce Silva dos Santos. Antônio José de Oliveira da Silva, de 33 anos, também faleceu no mesmo dia no Hospital João XXIII. Entretanto, não foi informado a causa específica do óbito. Até o momento, a maioria das mortes foram de pacientes transferidos para fora do Acre.
Acidente
A explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, que deixou 18 pessoas gravemente feridas e matou uma delas aconteceu em uma sexta-feira, dia 7 de junho. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC) na cidade, a explosão aconteceu enquanto a embarcação estava sendo abastecida. O barco transportava mercadorias, pessoas e combustível para os municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que também ficam no interior do estado.
“Um barco que ia para Marechal Thaumaturgo, de um senhor conhecido por Moreno, estava abastecendo às margens do rio, ao lado do [bairro] Miritizal, direto de um caminhão pipa, que também não sei de onde é. Aparentemente, era um abastecimento clandestino e o barco explodiu com o pessoal que estava dentro”, comentou em entrevista ao portal de notícias G1 Acre o comandante do Corpo de Bombeiros Militar em Cruzeiro do Sul, capitão José Dutra de Oliveira.
A corporação cruzeirense informou que equipes fizeram mergulhos no local do acidente para localizar possíveis vítimas fatais afogadas no Rio Juruá. De acordo com o comandante Oliveira, nenhum corpo foi localizado e ainda não se sabe quantas pessoas estavam na embarcação no momento do acidente, já que não havia um controle de passageiros por parte dos responsáveis. João Oliveira da Silva, de 33 anos, foi uma das vítimas e ficou com queimaduras nas pernas, braços e mãos.
Em entrevista ao G1 Acre, ele disse que estava com o filho no momento do acidente e não sabe como conseguiu se salvar.“Não sei dizer como foi, quando vi o fogo caí na água. Tinha muita gente no barco. Deve ter morrido alguém, não tinha como sair fácil de dentro dele. Não tirei nada, minhas roupas queimaram tudo. Graças a Deus consegui sair”, declarou aliviado. O catraieiro Nonato Coelho foi um dos que presenciou o acidente, ele estava na margem do rio no momento.
Segundo ele, o motorista do carro-pipa retirou a mangueira rapidamente e saiu do local logo no início da explosão “Quando vimos, foi a explosão e a fumaça. O caminhão estava no barranco, mas quando viu o fogo, não sei nem se conseguiu puxar a mangueira, só vi que estava derramando gasolina, ele [o motorista] pulou dentro do carro e se mandou”, declarou o catraieiro ao G1 Acre. Os nomes das vítimas, que tiveram de 70% a 90% do corpo queimado, foram divulgados dias depois.





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