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sábado, 4 de julho de 2026
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Mais quatro vítimas de explosão de barco no Rio Juruá são levadas para tratamento em Brasília

Quatro vítimas da explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, foram levadas de Belo Horizonte, Minas Gerais, para Brasília, Distrito Federal, na quinta-feira, 13. Eles terão as queimaduras causadas pelo acidente, tratadas no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). A unidade de saúde é referência nacional na recuperação de queimados. O transporte dos feridos foi feito por meio de um avião UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Força Aérea Brasileira (FAB).

O primeiro paciente acreano chegou à capital federal às 9h. Já os outros desembarcaram na cidade às 20h (horário de Brasília). Segundo a unidade pública de saúde, a previsão é de que as quatro pessoas afetadas pelo acidente fiquem internadas em tratamento por um período de quatro a seis meses. A direção do Hran informou que os quatro bancos de tecidos do país e o Serviço Nacional de Transplantes foram acionados em busca de peles com células compatíveis com a dos pacientes.

Em Brasília, as vítimas vão ficar internadas na Unidade de Queimados do Hran e serão acompanhadas por médicos e enfermeiros especialistas em queimaduras graves. Das 18 vítimas da explosão que já matou duas pessoas, onze foram levadas para fora do Acre devido ao grave estado clínico delas e a falta de médicos especialistas no estado acreano para realizar o longo tratamento que eles terão que passar. Todas as transferências foram articuladas pelo estado do Acre.

A transferência das vítimas iniciou na segunda-feira, 10, quando Umberto da Conceição de Oliveira, 38 anos, e P. V. F. S, de quatro anos, foram levados para Belo Horizonte. Já na terça-feira, 11, foi a vez de Valdir Torquato da Silva, 51 anos, e Francisco Luna Dos Santos, 46 anos, também serem transferidos para tratamento na capital mineira. Na quarta-feira, 12, José Ortenízio Souza da Conceição, de 39 anos, e Antônio José de Oliveira, 33 anos, foram os últimos levados para Minas Gerais. Outros dois foram transferidos para unidade de referência em Goiânia.

Quatro pacientes que estavam na UTI do Hospital Regional do Juruá tiveram melhora e foram liberados para os leitos, Francisco Rodrigues de Oliveira, 60 anos, João Oliveira da Silva, 32 anos, Francisco Rodrigues da Rocha, 55 anos, e José Francisco do Nascimento, 49 anos, estão com quadro clínico estável. A coordenadora da Central de Leitos e Cirurgias da Regulação do Acre, Paula de Faria Mariano, disse não há confirmação de outras novas transferências. “Estamos aguardando a melhora em quadros clínicos. Garantir segurança para estes pacientes durante a viagem é a principal medida”.

A segunda morte causada pela explosão do barco aconteceu na noite de terça-feira, 11, no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. Marluce Silva dos Santos, de 38 anos, morreu após complicações renais e piora do quadro clínico, o que impediu a transferência dela para Minas Gerais. Ela foi velada e sepultada sob forte comoção de amigos e familiares. “Desde quando me chamaram no hospital, a médica me falou que praticamente não tinha mais jeito. Ontem ainda falei com ela na UTI e ela foi fazer hemodiálise e não resistiu”, relatou o filho Felipe Ibernon, 22 anos.

Já a primeira morte causada pela tragédia foi a de Simone Souza Rocha, de 24 anos. Ela foi uma das 18 vítimas atingidas pela explosão da embarcação e morreu no domingo, 9, após uma parada cardiorrespiratória no Hospital Regional do Juruá. Do total de feridos no acidente, apenas oito tiveram alta da unidade de saúde em Cruzeiro do Sul e os demais seguem internados e passando por tratamento em Belo Horizonte. Dos 10 restantes, quatro estão no Acre e seis em Minas Gerais.

Acidente

A explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, que deixou 18 pessoas gravemente feridas e matou uma delas aconteceu na última sexta-feira, 7. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC) na cidade, a explosão aconteceu enquanto a embarcação estava sendo abastecida. O barco transportava mercadorias, pessoas e combustível para os municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que também ficam no interior do estado.

“Um barco que ia para Marechal Thaumaturgo, de um senhor conhecido por Moreno, estava abastecendo às margens do rio, ao lado do [bairro] Miritizal, direto de um caminhão pipa, que também não sei de onde é. Aparentemente, era um abastecimento clandestino e o barco explodiu com o pessoal que estava dentro”, comentou em entrevista ao portal de notícias G1 Acre o comandante do Corpo de Bombeiros Militar em Cruzeiro do Sul, capitão José Dutra de Oliveira.

A corporação cruzeirense informou que equipes fizeram mergulhos no local do acidente para localizar possíveis vítimas fatais afogadas no Rio Juruá. De acordo com o comandante Oliveira, nenhum corpo foi localizado e ainda não se sabe quantas pessoas estavam na embarcação no momento do acidente, já que não havia um controle de passageiros por parte dos responsáveis. João Oliveira da Silva, de 33 anos, foi uma das vítimas e ficou com queimaduras nas pernas, braços e mãos.

Investigação

A Marinha do Brasil e a Polícia Civil do Acre vão investigar as causas da explosão. Delegado de Cruzeiro do Sul, Lindomar Ventura afirmou que o inquérito foi instaurado ainda no último sábado, 8, e que as oitivas das pessoas envolvidas e testemunhas do caso iniciaram na segunda-feira. Peritos da Polícia Civil já estiveram no local do acidente para iniciar a investigação e colher o maior número de provas possíveis para anexar durante o processo feito pela instituição.

“A gente só aguardou passar esse primeiro momento de impacto do acidente para começar a ouvir algumas pessoas. Muitas vítimas ainda estão em atendimento e é importante conversar com elas para saber o que aconteceu, além das pessoas que estavam fazendo a descarga do combustível no local da fatalidade. Vamos aguardar o laudo da perícia, que deve ficar pronto em 10 a 15 dias, para saber definitivamente o motivo da explosão e do incêndio da embarcação”, afirmou o delegado.

Até o momento foram ouvidas doze testemunhas, entre elas, cinco sobreviventes. Ainda não há conclusão da perícia, mas de acordo com o delegado que acompanha o caso. De acordo com ele, os depoimentos já permitem identificar em que circunstâncias ocorreu o acidente.

“Uma das testemunhas que estava na proa afirma que viu um clarão na popa, e na sequência a explosão. Outro passageiro, que estava na popa, também confirma a versão. O que nos leva a deduzir que, realmente, uma fagulha nos cabos da bateria do motor acabou provocando o acidente”, revela o delegado.

A polícia espera ouvir pelo menos 20 pessoas, entre sobreviventes, pessoas que estavam próximas ao local do acidente e familiares das vítimas. O proprietário do caminhão que abastecia o barco será ouvido nesta sexta-feira, 14.

O inquérito policial deve ser concluído em um prazo de 30 dias. Aos autos serão acrescentados ainda notas fiscais, relatórios da Marinha, Corpo de Bombeiros e também da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que já enviou representantes a Cruzeiro do Sul.

“O mais importante é esclarecer as causas do acidente e apontar responsabilidades, se for caso”, lembra Lindomar Ventura.

Em nota divulgada à imprensa, a Marinha do Brasil informou que enviou uma equipe de busca, salvamento e de inspeção naval da Agência Fluvial de Cruzeiro do Sul, junto com uma equipe do Corpo de Bombeiros do Amazonas, assim que foi notificada da explosão. “Todas as pessoas foram resgatadas com vida e os feridos foram encaminhados ao hospital da cidade. Um inquérito será instaurado para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades pelo acidente”, afirmou.

De acordo com o órgão federal, responsável pela fiscalização e controle das vias fluviais, o barco tinha inscrição junto a ele, mas isso não significa que havia autorização para navegar. O procedimento investigatório da Marinha verificará qual a tripulação da embarcação, se ela era autorizada a transportar combustível, pessoas, mercadorias, que tamanho era a embarcação, identificaçãodo proprietário, entre outras diligências mais aprofundadas em diversos requisitos.