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quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Mais de mil horas de vídeos e dados de celulares passam por análise e podem mudar rumo do caso do cão Orelha

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) iniciou uma nova etapa na investigação sobre a morte do cão Orelha, que gerou grande repercussão em Florianópolis. A instituição criou um grupo de trabalho responsável por analisar um amplo conjunto de provas reunidas recentemente, incluindo mais de mil horas de vídeos, além de informações extraídas de celulares apreendidos e outros dados digitais.

De acordo com o MPSC, todo o material será examinado ao longo dos próximos 30 dias. A análise ficará sob responsabilidade da 10ª e da 2ª Promotorias de Justiça da Capital, e o procedimento segue em sigilo.

Segundo o órgão, a criação do grupo marca uma nova fase da apuração, voltada para uma análise técnica aprofundada do grande volume de evidências reunidas nos últimos dias.

Durante a investigação, já foram realizadas 96 diligências, incluindo ações conduzidas pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) e solicitações feitas pelo próprio Ministério Público.

Com base na avaliação do material coletado, o MPSC deverá decidir os próximos passos do processo. Entre as possibilidades estão o oferecimento de denúncia criminal contra eventuais adultos envolvidos, a representação por ato infracional contra adolescentes ou ainda o arquivamento do caso por falta de provas suficientes.

Antes dessa nova fase, o Ministério Público também solicitou 35 diligências adicionais. Entre elas, a exumação do corpo do animal, realizada pela Polícia Científica no dia 11 de fevereiro.

O procedimento ocorreu cerca de um mês após a morte do cão, quando o corpo já apresentava avançado estado de decomposição, o que acabou limitando as conclusões da perícia.

O laudo técnico não identificou fraturas ou lesões ósseas que pudessem ser atribuídas diretamente à ação humana. No entanto, os peritos ressaltaram que a ausência desse tipo de lesão não descarta a possibilidade de trauma cranioencefálico, já que esse tipo de dano nem sempre deixa marcas nos ossos. Dessa forma, a causa da morte ainda não foi definida de forma conclusiva.

Relembre o caso do cão Orelha

O cão Orelha era conhecido por moradores da Praia Brava, em Florianópolis, onde vivia há cerca de dez anos. O caso começou a ser investigado após o animal ser encontrado gravemente ferido no dia 5 de janeiro, depois de desaparecer durante a madrugada anterior.

Segundo relatos de moradores e registros policiais, o cachorro teria sido agredido por um grupo de jovens com objetos contundentes. Devido à gravidade dos ferimentos, o animal precisou ser sacrificado em uma clínica veterinária.

A situação gerou grande comoção e mobilização nas redes sociais, com manifestações públicas e campanhas pedindo justiça, impulsionadas pela hashtag #JustiçaPorOrelha.

A Polícia Civil de Santa Catarina abriu um inquérito para apurar o caso como ato infracional análogo ao crime de maus-tratos contra animais. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos indicaram a participação de quatro adolescentes nas agressões.

Pelo menos um deles foi apontado como diretamente envolvido no ataque, e a polícia chegou a solicitar internação cautelar.

Além disso, três adultos — familiares dos adolescentes — foram indiciados por suspeita de coação de testemunhas, por tentarem interferir nas investigações. O processo tramita sob segredo de Justiça por envolver menores de idade.

Recentemente, uma reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular revelou que uma professora teria encontrado um objeto que possivelmente foi usado nas agressões. Trata-se de uma haste de guarda-sol.

Até o momento, não há confirmação oficial de que o objeto tenha sido encaminhado para perícia no âmbito da investigação.