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terça-feira, 7 de julho de 2026
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Mais cinco fugitivos de presídio em Rio Branco são capturados e 20 seguem foragidos


Luan Cesar


Mais cinco fugitivos do Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde (FOC), em Rio Branco, por agentes dos órgãos que compõem o Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) entre a noite de segunda-feira, 20, e a manhã de terça-feira, 21. O primeiro reeducando foi recapturado ainda ontem horas após a fuga em massa do maior presídio do estado. Com isso, 20 dos 26 detentos que fizeram um buraco na cela e usaram uma corda artesanal seguem foragidos.


A informação da recaptura dos presos foi confirmada pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) na manhã de ontem. O primeiro a ser encontrado pelos agentes de segurança foi Adalcimar Oliveira de Almeida, recapturado logo após a fuga. Os outros cinco foram presos entre a noite de segunda e a madrugada de terça. Os detentos fugiram do pavilhão L, destinado a pessoas que cumprem pena em regime fechado após a condenação pela Justiça.


Segundo o órgão responsável por administrar os presídios do Estado, Marcos da Costa Ferreira e Vagner Tércio de Moura foram encontrados pelos policiais penais na BR-364 por volta das 23h30 de segunda. Já Anderson da Silva Velasquez foi localizado em um matagal próximo do Complexo Penitenciário, localizado no bairro Custódio Freire, por volta das 3h45 de ontem. Francisco dos Santos Coimbra e Adam Smith Oliveira da Silva foram recapturados na manhã de terça-feira.


Nas informações dadas, o Iapen-AC não soube informar o local exato onde Coimbra e Silva estavam no momento da recaptura. Presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre, Lucas Gomes disse ao site AC24horas que as buscas pelos demais fugitivos continuarão. “Três presos que haviam cortado a tornozeleira eletrônica em datas pretéritas também foram recapturados. Um monitorado também foi preso em sua residência pelo crime de tráfico de drogas”.


Fuga presos e violência
Após a chacina que vitimou seis pessoas na Estrada Transacreana, a execução de um jovem no Ramal Bom Jesus, bairro Vila Acre, ambos no último sábado, 18, e a fuga de 26 presos do Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde (FOC) na segunda-feira, 20, o Estado do Acre pediu auxílio de outros órgãos à Segurança Pública. A medida foi anunciada pelo secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em exercício, Ricardo Brandão, em coletiva de imprensa.


Conforme o Iapen-AC informou, os reeducandos fizeram um buraco na parede da cela e utilizaram lençóis para fazer cordas improvisadas para escapar pela muralha. O órgão afirma que os fugitivos integram a facção criminosa Bonde dos 13, que é aliada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua no Acre e em outros vários estados brasileiros. Entre os órgãos acionados pela Sejusp estão a Polícia Rodoviária Federal (PRF-AC) e 4° Batalhão de Infantaria e Selva (BIS) do Exército Brasileiro, que reforçam as barreiras policiais nas rodovias federais no estado.


Durante a coletiva de imprensa realizada no dia da fuga, o secretário de Justiça e Segurança Pública em exercício não descartou uma ligação, com possíveis ações coordenadas, entre a fuga em massa no Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde e o caso dos 76 detentos que integram o Primeiro Comando da Capital que fugiram de um presídio na cidade Pedro Juan Caballero, no Paraguai, no domingo, 19. O Bonde dos 13 é um dos braços do PCC na Região Norte.


“Vamos fazer um terceiro pedido. Não precisamos de intervenção, precisamos apenas da presença das instituições federais no Acre”, esclareceu Brandão durante o encontro com a imprensa local realizado na manhã de segunda na Casa Civil. Coronel da Polícia Militar (PM-AC), o secretário em exercício afirmou ainda que ao longo do ano de 2019 o Estado acreano oficializou dois pedidos de auxílio na execução de ações contra a criminalidade diretamente à Presidência da República.


De acordo com ele, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre acionou a Polícia Federal (PF), o Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública – Regional Norte (CIISPR-Norte), Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Ministério Público do Acre (MP-AC) para apoiar as atividades ostensivas e de inteligência na tentativa de dar uma resposta eficaz à população. Entretanto, o gestor não especificou se a Força Nacional e outros órgãos serão acionados no apoio.


Entre as ações desenvolvidas pela Sejusp para contornar a situação estão: reforço das barreiras policiais na capital e municípios do interior com apoio PRF-AC e 4° BIS nas rodovias federais; apoios das secretarias de Segurança Pública de Rondônia e Amazonas para implantação de barreiras e fiscalização nas áreas de fronteira e acionamento da Polícia Federal com equipes de inteligência para avaliação das circunstâncias de fuga e fiscalizações nos aeroportos do estado.


Também foi realizado o acionamento do Centro Integrado Regional de Inteligência para apoio quanto à produção de conhecimento; realização de revistas em todos os presídios do estado para evitar novas fugas; aplicação dos corregedores das polícias Militar e Penal para apuração imediata de eventuais responsabilidades pela fuga e solicitação de apoio do MP acreano e Abin para acompanhar as investigações que vão apurar eventuais responsabilidades pela fuga dos detentos.


A criminalidade não tem dado trégua aos acreanos. Com as mortes de sábado, subiu para 29 o número de assassinatos nos primeiros 18 dias deste ano, a maioria dos casos ocorreu em Rio Branco. Os números tornam-se ainda mais preocupantes quando são comparados com as mortes violentas contabilizadas em janeiro do ano passado. Segundo o Índice Nacional de Homicídios, que faz parte do Monitor da Violência, em janeiro de 2019 32 mortes violentas foram registradas.