O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assina nesta terça-feira (28) o decreto de promulgação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, oficializando a entrada do tratado em vigor no Brasil.
A medida marca uma etapa histórica nas relações econômicas entre os dois blocos, encerrando mais de 26 anos de negociações diplomáticas, comerciais e políticas.
O acordo reúne os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — aos 27 integrantes da União Europeia, formando uma das maiores zonas de livre comércio do planeta.
Juntos, os blocos representam cerca de 718 milhões de habitantes e movimentam aproximadamente R$ 113 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
Pelo tratado, o Mercosul eliminará tarifas de importação sobre 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos. Em contrapartida, a União Europeia removerá tarifas sobre 95% dos produtos exportados pelos países sul-americanos em até 12 anos.
As negociações começaram oficialmente em 1999 e passaram por sucessivos impasses envolvendo questões ambientais, agrícolas, industriais e políticas.
Os termos finais do acordo foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai. No Brasil, a ratificação foi aprovada pelo Congresso Nacional em março, permitindo agora a promulgação oficial pelo governo federal.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que o tratado deve impulsionar a economia brasileira em diferentes áreas.
Segundo o governo federal, os principais efeitos esperados incluem aumento das exportações, atração de investimentos estrangeiros, geração de empregos, redução de custos para empresas e maior competitividade da indústria nacional.
Autoridades brasileiras também avaliam que o acordo fortalece a posição econômica do país diante de instabilidades e disputas comerciais globais.
Na Europa, a parte comercial do tratado poderá entrar em vigor provisoriamente já a partir de 1º de maio. Isso ocorre porque os temas ligados ao comércio exterior são de competência direta da União Europeia.
Já os trechos relacionados à cooperação política e institucional ainda dependem da aprovação individual dos parlamentos nacionais dos 27 países-membros.
Apesar de resistências apresentadas por alguns governos europeus e discussões jurídicas no Tribunal de Justiça da União Europeia, a expectativa é que a parte econômica do acordo comece a produzir efeitos imediatos sobre exportações, importações e investimentos.
Para reduzir possíveis impactos negativos sobre setores nacionais, o governo brasileiro também publicou mecanismos de salvaguarda comercial.
As medidas permitem proteção temporária à indústria e ao setor agrícola caso o aumento das importações provoque prejuízos ou ameace causar danos significativos aos produtores nacionais.


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