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terça-feira, 23 de junho de 2026
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Liberdade é a nossa causa

Liberdade é a nossa causa

Se por um lado me parece precipitado acreditar que os homens são sempre agressores, por outro pensar um mundo melhor ou mais igual definitivamente não passa pela ótica machista.

Longe de querer de alguma maneira, justificar e minimizar todo e qualquer tipo de violência que as mulheres sofrem.

Seja qual for a ótica, não entendo um mundo mais justo, simplesmente com igualdade. Mesmo o ¨mundo machista¨ que mata, esquarteja, agride, diminui, ofende e que é indiferente às lutas e às causas humanas é um mundo de homens e mulheres.

Você já se perguntou: O que posso fazer e estou fazendo para vivermos em um mundo melhor?

Outro dia em uma conversa com a amiga jornalista, ativista e feminista Maria Meirelles, ela me falava que no Brasil os números da violência mostram que a cada cinco minutos uma mulher é agredida e que a cada 11 minutos uma é estuprada.

Sempre achei que militância é uma luta diária. O ativismo de Meirelles não escolhe hora ou lugar. Na correria da pauta, na parada para o café ou na reunião de família, deve ser de berço.

Nesses encontros que sempre me inspiram a buscar estudar e ler mais para tentar compreender esse ¨mundo feminista¨ conheci a escritora brasileira Clara Averbuck Gomes que, como feminista, compreende que o machismo também oprime os homens.

Entendo que mesmo em uma dimensão infinitamente menor, mas muito bem por ela exposto como, por exemplo, quando exigimos de nós mesmos ser durões. Ou com uma das frases bem conhecida: Homem não chora. E que tal a tradição de que devemos e, muitas vezes, somos os que mantém a casa. E também existe aquela história de que qualquer semelhança física ou comportamental com elas é sinal de fraqueza, é coisa de gay. Isso é opressão!

Clara Averbuck, em um artigo publicado no site Pragmatismo político, questiona: ¨Você é feminista, ou sabe o que é feminismo? Você consegue responder? Ela propõe um teste:

1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?

2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?

3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?

4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?

5. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação dos pais?

6. Você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?

7. Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?

8. Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?

9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?

10. Você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?

Se respondeu sim pra tudo, ‘Clara adverte’: É isso mesmo, você é feminista! Poderia afirmar que sim, sou feminista, mas por respeito ao ponto de vista de muitas mulheres afirmarem que não existe homem feminista direi que apoio a causa. A conversa aqui não é pra falar que sou contra algo porque senão serei a favor de outra coisa. Sou contra os homens portanto sou a favor das mulheres. Gosto do vermelho e então odeio o azul. Se não for bom é ruim.

Aliás, isso está virando uma máxima nos dias atuais. Ser feminista não é ser feminino nem ser contra nada, entenda a diferença.

Clara Averbuck também define que “Machismo é um sistema de dominação e feminismo é a luta por direitos iguais”. Pronto, assim fica mais claro e fácil de entender.

Eu diria, para corroborar e pedindo licença a Averbuck, que feminismo é mais. É luta por liberdade. Algo difícil em tempos de tanta intolerância.

Nas próximas eleições, antes de votar, reflita se alguém que se diz contrário a tudo isso, defende a liberdade. Será que defende?


Alexandre Nunes é administrador e publicitário, pós-graduado em Comunicação Digital pela FASB e Master in Business Administration pela Universidade Gama Filho.