Em relação à liberação dos recursos das contas do FGTS e PIS/PASEP anunciada hoje, 24 de julho, pelo governo federal, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) avalia que a medida deverá ter impacto positivo sobre o comércio no segundo semestre deste ano.
“Com base nas informações divulgadas até o momento, estimamos um impacto direto de pelo menos R$ 7,4 bilhões no comércio varejista no segundo semestre de 2019 com os recursos extras obtidos. Consideramos ainda que a redução do endividamento e a regularização de dívidas em atraso também exercerão impactos indiretos positivos sobre o volume de vendas do comércio nos meses seguintes aos saques, já que liberam espaço no orçamento das famílias para outros gastos”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros.
“Somados a outros fatores positivos, como a inflação abaixo da meta, o aumento do emprego, da renda e a perspectiva de queda das taxas de juros, esses recursos extras deverão contribuir positivamente para um ritmo maior de crescimento da economia brasileira”, completa.
Apesar de significativo, o impacto em 2019 deverá ser inferior ao observado em 2017, quando uma medida semelhante de liberação dos recursos do FGTS contribuiu para reduzir o endividamento das famílias, aumentar a regularização de contas ou dívidas com pagamento em atraso e ajudou a impulsionar a venda de bens duráveis e não duráveis. Naquele ano, do total de R$ 44 bilhões retirados no fundo, com saques de valor médio de R$ 1.704,00, a CNC estimou que R$ 10,8 bilhões – cerca de 25% do montante – foram utilizados para o consumo no comércio varejista. O restante foi utilizado para o pagamento de outros gastos e os trabalhadores priorizaram o pagamento de dívidas.
Medida deve gerar 10% a mais de empregos temporários
A injeção de recursos na economia com a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep deu uma chacoalhada no varejo. Tamanho é o ânimo entre os empresários, que representantes do setor apontam para uma geração de empregos temporários 10% superior ao do ano passado. É o que estima o presidente da União Nacional das Entidades de Comércio e Serviços (Unecs), George Pinheiro. Em 2018, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) — um dos braços da Unecs — estima que foram criados cerca de 60 mil postos. Ou seja, neste fim de ano, devem ser contratados 66 mil trabalhadores.
O cálculo de 10% não tem, ainda, embasamento da equipe econômica da Unecs ou de entidades representantes, como a CNDL. É uma estimativa feita por Pinheiro a pedido do Correio. O presidente da entidade, que representa setores que respondem por cerca de 15% do Produto Interno Brasileiro (PIB), justifica o incremento: “A liberação do FGTS e do PIS-Pasep começa em setembro e será escalonada, se estendendo ao longo do ano. Soma-se a isso o pagamento do 13º salário”.
A geração de empregos temporários pode ser ainda maior, a depender do otimismo dos empresários. Afinal, a liberação dos recursos do FGTS vai durar até o primeiro trimestre de 2020. Fora isso, os empresários acreditam que o governo apresentará outros pacotes de estímulo à economia. “Dentro dessa expectativa, mas com muito pé no chão, podemos estimar esses 10% a mais de contratação temporária. Mas estamos falando de um movimento que vai começar a acontecer dentro de uma expectativa muito boa para o setor terciário. Como estamos com números ruins, a gente estima que isso vai dar um upgrade”, destacou.
O pagamento do 13º desponta como outro fator de otimismo. Em 2018, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estimou a injeção de R$ 211,2 bilhões na economia com o salário extra. Mantido um estímulo dessa grandeza e somados os R$ 28 bilhões do FGTS e os R$ 2 bilhões do PIS-Pasep, circularão na atividade econômica cerca de R$ 241 bilhões ao longo do último quadrimestre do ano. A consequência, segundo Pinheiro, deve ser crescimento de vendas no Natal superior aos 2,66% registrados pela CNDL em 2018. “Estagnado não vai ficar, nem registrar queda nas vendas”, ponderou. (Com informações Correio Braziliense)


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