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segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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Justiça francesa julga dez pessoas por campanha de ódio virtual contra Brigitte Macron

A Justiça da França iniciou, nesta segunda-feira (27), o julgamento de dez pessoas acusadas de promover uma campanha de assédio virtual contra Brigitte Macron, primeira-dama do país e esposa do presidente Emmanuel Macron. Os réus são apontados como responsáveis por difundir, nas redes sociais, teorias falsas e comentários ofensivos que se espalharam amplamente entre 2018 e 2022.

De acordo com o processo, os acusados criaram e compartilharam postagens com conteúdo calunioso, sugerindo falsamente que Brigitte Macron seria uma pessoa transgênero — alegação desmentida diversas vezes pela Presidência francesa e amplamente repudiada por entidades de direitos humanos. A ofensiva, considerada uma das maiores campanhas de desinformação já direcionadas a uma figura pública na França, teve início durante o auge das discussões políticas sobre igualdade de gênero e direitos LGBTQIA+.

As mensagens se espalharam principalmente em plataformas como Facebook, X (antigo Twitter) e YouTube, sendo reproduzidas por contas ligadas a grupos extremistas e movimentos de desinformação. Investigadores apontam que o objetivo era atacar politicamente o presidente francês por meio da difamação de sua esposa, que frequentemente atua em pautas sociais e educacionais.

Os réus, que incluem influenciadores digitais, ativistas e simpatizantes de grupos radicais, foram indiciados por “difamação pública”, “assédio moral em grupo” e “propagação de notícias falsas”. Caso sejam condenados, podem pegar até dois anos de prisão e pagar multas que chegam a 45 mil euros, conforme o código penal francês.

O julgamento ocorre em meio ao debate crescente sobre os limites da liberdade de expressão e o combate à desinformação digital na Europa. O governo francês tem reforçado a legislação que responsabiliza autores e plataformas por campanhas coordenadas de ódio online.

Brigitte Macron, de 71 anos, preferiu não comparecer às audiências, mas enviou declaração por escrito destacando o impacto humano da violência digital. “Nenhum ataque virtual é apenas virtual — ele causa feridas reais e duradouras”, afirmou.

O veredito do caso deve ser anunciado nas próximas semanas e pode estabelecer um precedente importante na punição de crimes digitais contra figuras públicas.