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quinta-feira, 4 de junho de 2026
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Investir primeiro, gastar depois

Investir primeiro, gastar depois

Oleitor que acompanha nossos artigos semanalmente deve ter percebido que os últimos textos trataram sobre finanças. E por que Finanças? Porque um país, uma empresa ou uma pessoa física que não possui suas finanças sobre controle, não pode gerar riqueza e nem sonhar em ser rico. Ter o controle das finanças pessoais é o primeiro passo para garantir um futuro próspero, sem necessitar da ajuda do governo para ter educação ou atendimento médico. Viver sob o controle das finanças, é viver despreocupado com as ações governamentais.

Quem trabalha e consegue poupar, tem disponível no mercado financeiro e até mesmo no governo, diversos produtos financeiros que garantem uma aposentadoria livre do INSS. Quando cursei minha pós-graduação em finanças na Fundação Dom Cabral-BH, tinha um professor que sempre perguntava aos alunos qual fora o primeiro ato (não falava de gasto ou investimento) praticado com o salário recebido. No primeiro dia de aula as respostas foram: paguei meu cartão; minha energia; fui ao supermercado fazer a feira do mês; sai com a galera depois do trabalho no mesmo dia do recebimento e etc.

As respostas não tiveram replica do professor, apenas passou o material e começou a aula. Todos os dias seguintes o professor entrava na sala de aula e fazia a mesma perguntou, ouvia as respostas e continuava a ministrar aula. No último dia, depois de 30 dias de aula, o professor entra na sala e faz a pergunta: qual foi seu primeiro ato praticado com o salário recebido? As respostas foram: comprei ações na Bolsa de Valores; apliquei num fundo de investimento; comprei um imóvel parcelado; comprei dólares; comprei ouro; comprei títulos públicos; adquiri uma LCA; adquiri uma LCI; comprei contratos de boi gordo no mercado futuro e etc. Todas as respostas tiveram como primeiro ato praticado com o salário recebido o investimento. Todos os 40 alunos entenderam que para gerar a própria riqueza é necessário praticar como primeiro ato do salário ou remuneração, o investimento para o futuro (o poupar para gastar mais no futuro).

Você deve entender que a dívida (seja ela uma conta de consumo obrigatória ou discricionária) deve ser o segundo ato praticado com seu salário ou remuneração. Mas para investir você deve ser um bom administrador de suas finanças pessoais, caso contrário, chegará o mês em que seu salário ou remuneração não será suficiente para pagar todas as contas e você terá que pedir dinheiro emprestado, criando, mais uma vez, outra dívida que será coberta por outra dívida e a bola de neve só crescerá.

Gastar dinheiro faz parte do jogo entre trabalho x salário. O que não faz parte do jogo é só gastar e não poupar. A pessoa que perceber esse dilema, gastar x poupar, será um poupador nato e irá gerar a própria riqueza para gastar mais no futuro.

Uma pessoa que entendeu isso desde criança foi Warren Buffett, o velhinho de Omaha, Nebraska – Estados Unidos, que ficou conhecido no mundo como “o Oráculo de Omaha”.
Alguns dos meus colegas da pós em finanças são apaixonados por Buffett. O oráculo de Omaha formou-se em economia e foi aluno de Benjamin Graham, sendo hoje o presidente da Berkshire Hathaway e a segunda pessoa mais rica do mundo com um patrimônio de US$75,6 bilhões de dólares. Buffett tem duas regras para gerar a própria riqueza: “1 – Não perder dinheiro; 2 – Nunca esquecer a primeira regra.”

Trazendo as regras de Buffett para o nosso contexto acreano (me permitam escrever acreano – foi como cresci) podemos ter nas dívidas uma forma de perder dinheiro. Não quero dizer que a dívida não é necessária, pelo contrário, se for uma forma de alavancagem bem projetada dará lucro. Mas imagine seu desejo de extravasar a semana de trabalho com um churrasco no sábado que sai por no mínimo R$150,00. Se você fizer quatro churrascos no mês serão R$600,00, o que pode ser o mesmo valor de sua conta de luz, do seu cartão de crédito, da sua feira ou etc que tenha um grau de importância maior para sua vida ou seu modo de vida. Veja que sem churrasco você vive, mas sem energia não.

Assim, imagine que o churrasco entra naquela rubrica de dinheiro emprestado do banco (cheque especial, CDC e etc) que é uma forma de alavancagem que gera prejuízo. Se os juros do banco for de 10% ao mês, você de cara já deve R$60,00 que serão pagos juntamente com o principal no próximo salário. E como irá fazer mais quatro churrascos por causa dos prejuízos dos quatro últimos, a bola de neve da dívida impagável só crescerá. Podemos dizer que isso é esquecer a segunda regra de Buffett, ou seja, que você esqueceu a primeira regra (não perder dinheiro).

As finanças pessoais são feitas com papel e caneta, planilhas de Excel ou outros programas, servindo para mostrar onde você gasta seu dinheiro ou onde você faz investimento para o futuro. Finanças pessoais leitor, é saber quantas tapiocas você comeu no mês ou quantos chocolates foram saboreados, avisando que tais gastos não são necessários para sua sobrevivência. Não se quer proibir que você faça seu churrasco, coma sua tapioca, seu bombom de cupuaçu, quer apenas lhe advertir que o dinheiro é finito e que seus desejos extravagantes ou desnecessários podem levá-lo ao fundo do poço.

Não podemos imaginar que a estabilidade laborativa exime o servidor de ter o controle de suas finanças pessoais, pois os exemplos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são a prova de que a estabilidade não garante o salário em dia e de que a doença, a fome e as contas não vão esperar o salário chegar. Cuide de suas finanças pessoais e faça investimentos em produtos financeiros que acresçam rentabilidade. Lembrem-se das respostas dos 40 alunos acima quando finalizaram a disciplina Finanças Pessoais (investir primeiro, gastar depois).

Marco Antonio Mourão de Oliveira, 41, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.