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Indústria do Amazonas é a primeira a voltar ao nível pré-pandemia, diz IBGE

A produção industrial cresceu em junho em 14 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Quase todos eles, porém, seguem em patamar inferior ao verificado antes do início da pandemia. Apenas o Amazonas conseguiu recuperar todas as perdas.

Influenciada pela produção de carros e caminhões, a indústria brasileira teve alta de 8,9% em junho, o segundo mês de alta seguida. Apesar de ter crescido 17,9% entre maio e junho, porém, a produção industrial ainda está 13,5% abaixo do verificado antes do início da pandemia.

“A indústria, desde maio, segue um crescimento no intuito de compensar as perdas. Ainda estamos na pandemia, ainda há isolamento, mas no caminho para um retorno da produção nos patamares anteriores”, disse Bernardo Almeida, analista da pesquisa divulgada nesta terça (11) pelo IBGE.

Linha de montagem de motos na fábrica da Honda no distrito industrial da Zona Franca Manaus – Lalo de Almeida – 5.ago.2018/Folhapress

Segundo o instituto, os maiores avanços em junho foram verificados no Amazonas e no Ceará, com alta de 65,7% e 39,2%, respectivamente. No Amazonas, foi a taxa mais alta desde o início da seprie histórica da pesquisa, influenciada pela venda de bebidas e motos, principalmente.

Segundo Almeida, a alta na produção industrial amazonense teve forte influência do segmento de fabricação de xaropes para elaboração de bebidas, segmento bastante afetado pela crise no mercado interno. No caso das motos, ele diz que a recuperação pode ter também impacto do mercado externo.

Nos últimos dois meses, a produção industrial no estado quase dobrou, com alta de 95,1%, recuperando as perdas realizadas no pico da pandemia. O estado foi um dos primeiros atingidos pelo novo coronavírus no país, em um ritmo de contaminação que gerou colapso no sistema de saúde.

Mas foi também um dos primeiros a retomar as atividades paralisadas nos piores momentos da crise. Na sexta (7), o estado completou um mês de volta às aulas, por exemplo.

Almeida diz que as características específicas da indústria do Amazonas, onde está localizada a Zona Franca de Manaus, dificultam comparações com outros estados. “A recuperação dos outros locais vai depender das especificdades de cada um”, afirmou.

Rio Grande do Sul (12,6%), São Paulo (10,2%) e Santa Catarina (9,1%) também mostraram expansões mais intensas do que a média nacional (8,9%). Apenas Mato Grosso teve desempenho negativo, com queda de 0,8%, influenciada pela indústria de alimentos, que não teve corte de produção durante a crise.​

Na comparação com junho de 2019, porém, o resultado ainda é negativo em 12 dos 15 locais pesquisados, indicando, segundo o gerente do IBGE, que o ritmo da produção industrial no país permanece influenciado pelos efeitos do isolamento social, apesar da retomada gradativa nos últimos meses.

Houve alta apenas em Goiás (5,4%), Pernambuco (2,8%) e Mato Grosso (1,6%). Nesta comparação, Espírito Santo (-32,4%) e Ceará (-22,1%) assinalaram os recuos mais intensos. Em São Paulo, a queda é de 11,8%.

A recuperação não tem sido suficiente para melhorar o ambiente do mercado de trabalho brasileiro, que fechou o segundo trimestre com 8,9 milhões de vagas a menos, segundo informou o IBGE na semana passada. Foi a maior queda do número de brasileiros ocupados da história da pesquisa.

O desemprego subiu a 13,1%, mas a taxa ainda é distorcida pelo recorde de brasileiros que desistiram de procurar trabalho, seja por medo da pandemia, seja por acharem que não encontrarão vagas nas cidades onde vivem. Para economistas, sem esse recorde, a taxa hoje seria de 21,5%.

As montadoras, por exemplo, têm fechado vagas e reajustado seus processos fabris mesmo com a retomada da produção. Apenas em julho, foram fechadas 1.484 vagas no setor. O maior corte ocorreu na Renault, com 747 funcionários desligados.

De acordo com Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), houve 3.500 demissões ao longo da pandemia. Nos últimos 12 meses, cerca de 6.000 postos de trabalho foram fechados nas montadoras.

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