
Na noite de ontem, quarta-feira (7), a liderança do movimento indígena que está bloqueando a BR-317, gravou um vídeo, após a decisão judicial, garantindo que haverá descumprimento da ordem dada pelo juiz de Boca do Acre, caso a audiência pública marcada para o próximo dia 9 não tenha os efeitos esperados pelos moradores das duas reservas.
Nesse mesmo vídeo, os líderes deram um recado para a presidente da Câmara Municipal de Boca do Acre, Taisa Onofre, pedindo que ela não frequente mais o galpão do protesto, pois nas palavras deles, ela “não é bem-vinda”.
As palavras dirigidas à vereadora foram proferidas após ela ter se posicionado contra as medidas austeras do protesto indígena, que entre outras atitudes, pretende desconsiderar a decisão do juízo da Comarca de Boca do Acre, mantendo o bloqueio severo da Estrada de Boca do Acre.
Procuramos a presidente do Poder Legislativo de Boca do Acre, que foi direta ao ponto, afirmando que ela própria estaria se retirando do movimento, em caso de descumprimento de ordem judicial.
“Estive apoiando o protesto desde as primeiras horas em que ele aconteceu, mas não posso concordar que uma medida judicial seja descumprida e que a nossa população sofra por causa do radicalismo dos protestantes, que pretendem chamar a atenção dos órgãos e autoridade fazendo o nosso povo sofrer”, comentou Taisa.
Taisa disse ainda que os indígenas podem continuar chamando a atenção dos órgãos públicos, sem criar sofrimento para a população de Boca do Acre.
“O protesto é válido, desde que não fira o direito de ir e vir, desde que não causa o sofrimento de uma população que não tinha mais combustível, gás, entre outros artigos de primeira necessidade”, falou a vereadora.
“Se for para continuar dessa forma arbitrária e fazendo a nossa população sofrer, eu me retiro”, disse.
Taisa também se referiu às dificuldades enfrentadas pelos taxistas, que não estão conseguindo o pão de cada dia, porque os líderes do movimento se voltaram contra a classe.
“Tem taxista chorando, porque já não tem mais nada em casa para comer, outros dizem que não terão o dinheiro para pagar a parcela do carro, entre outras coisas, ou seja, é inadmissível ver o trabalhador sendo prejudicado”, falou.
“Todos nós precisamos dessa estrada, vamos continuar lutando por ela, mas a nossa população não precisar sofrer, nossos trabalhadores não merecem ser impedidos de trabalhar, se o protesto for pacífico, eu tô dentro, mas se for radical e desrespeitoso, não contem comigo”, finalizou.


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