A Häagen-Dazs vai deixar de ser distribuída no Brasil após quase três décadas de presença no mercado nacional. A decisão foi anunciada pela General Mills, empresa responsável pela marca, e faz parte de uma estratégia de revisão do portfólio de produtos.
A fabricante não informou uma causa específica relacionada ao desempenho da Häagen-Dazs no país. A empresa explicou que a interrupção da distribuição está inserida em um processo mais amplo de reformulação de seu portfólio.
A marca chegou ao mercado brasileiro em 1997 e, durante sua trajetória no país, também manteve lojas próprias. Essa operação física, no entanto, já havia sido encerrada em 2018. Desde então, os sorvetes continuaram disponíveis por meio de outros canais de venda.
Agora, a distribuição também será interrompida, encerrando a presença comercial da marca no Brasil.
Häagen-Dazs não é a única marca estrangeira a reduzir operações no Brasil
A saída da Häagen-Dazs ocorre em um cenário que já registrou outros casos de empresas internacionais diminuindo ou encerrando determinadas atividades no mercado brasileiro.
As razões variam de acordo com cada companhia. Entre os fatores estão mudanças estratégicas, custos operacionais, concorrência, desempenho das vendas, reestruturações internacionais e alterações no modelo de negócios.
Haribo encerrou produção em fábrica de Bauru
A fabricante alemã Haribo, conhecida principalmente pelas balas de gelatina, também reduziu sua presença industrial no Brasil.
A empresa iniciou a produção nacional em 2016, quando inaugurou uma fábrica em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade tinha importância estratégica para a companhia por ter sido sua primeira fábrica fora da Europa.
Em 2026, a Haribo anunciou o encerramento das atividades industriais no país. O processo foi concluído em julho.
Na época, a empresa citou fatores relacionados à competitividade e ao ambiente de negócios para justificar a decisão.
Ford deixou de fabricar veículos no Brasil
A Ford também passou por uma mudança significativa em sua atuação no país. A montadora, presente no Brasil desde 1919, anunciou em janeiro de 2021 o encerramento da produção nacional de veículos.
As fábricas de Camaçari, na Bahia, e Taubaté, em São Paulo, deixaram de produzir veículos. A unidade da Troller em Horizonte, no Ceará, também foi fechada.
Entre os motivos apresentados pela empresa estavam a capacidade ociosa das fábricas, a redução das vendas e anos de prejuízos. A companhia também mencionou as condições econômicas e os efeitos provocados pela pandemia.
A Ford, entretanto, não abandonou completamente o mercado brasileiro. A empresa continuou comercializando veículos no país, mas passou a trabalhar principalmente com modelos importados.
Mercedes-Benz encerrou produção de carros em São Paulo
Outro exemplo é o da Mercedes-Benz. A fabricante encerrou, em 2020, a produção de automóveis em sua unidade de Iracemápolis, no interior paulista.
A fábrica produzia modelos como o Classe C e o GLA. Segundo a empresa, a decisão esteve relacionada às condições econômicas, à redução das vendas no segmento premium e a uma reorganização de sua estrutura global de produção.
A saída da produção de automóveis não representou o fim das atividades da Mercedes-Benz no Brasil. A companhia manteve negócios relacionados a caminhões e chassis de ônibus, além da comercialização de automóveis importados.
Forever 21 fechou lojas brasileiras
No setor de moda, a Forever 21 encerrou sua operação de lojas físicas no Brasil em 2022.
A marca americana havia chegado ao país em 2014 e chegou a contar com 15 unidades. As lojas foram fechadas ao longo de 2022, após períodos de liquidação dos estoques.
A empresa enfrentava dificuldades para manter a operação diante de fatores como custos elevados, baixa escala e concorrência de grandes varejistas asiáticas.
Fnac também encerrou suas lojas no país
A rede francesa Fnac começou a operar no Brasil em 2000, reunindo em suas lojas produtos como livros, eletrônicos, filmes e itens de música.
A operação chegou a contar com 12 unidades. Em 2017, a Livraria Cultura assumiu o controle da operação brasileira, mas as lojas acabaram sendo fechadas no ano seguinte.
A última unidade, localizada em Goiânia, encerrou as atividades em outubro de 2018. Entre os desafios estavam a necessidade de ampliar a escala do negócio, a redução das vendas e o aumento da concorrência.
Walmart mudou de nome no Brasil
O caso do Walmart foi diferente dos demais. A empresa não deixou imediatamente o mercado brasileiro, mas sua marca deixou de ser utilizada nas lojas após uma mudança no controle da operação.
A rede chegou ao Brasil em 1995. Em 2018, o fundo Advent International adquiriu 80% da operação brasileira.
No ano seguinte, a rede passou a utilizar a marca Grupo BIG, encerrando a utilização do nome Walmart nas lojas do país.
O episódio mostra que a saída de uma marca estrangeira não necessariamente significa o encerramento de todas as atividades da empresa ou do negócio que ela mantinha no território nacional.
Sony encerrou produção de eletrônicos no Brasil
A Sony também reduziu sua presença no mercado brasileiro. A companhia estava no país desde 1972 e tinha atuação em segmentos como televisores, câmeras e equipamentos de áudio.
Em 2020, a empresa anunciou o fechamento de sua fábrica em Manaus e o fim da produção desses equipamentos no Brasil. No ano seguinte, confirmou que deixaria de comercializar esses produtos diretamente no mercado nacional.
A decisão foi atribuída ao cenário do mercado e às perspectivas para os negócios. Apesar disso, a Sony manteve outras áreas de atuação no país, incluindo PlayStation, música, entretenimento e soluções profissionais.
Nikon encerrou operação direta no Brasil
A Nikon anunciou em 2017 que deixaria de comercializar diretamente no país suas câmeras, lentes e acessórios fotográficos.
No ano seguinte, a empresa confirmou o encerramento de suas atividades no Brasil. A decisão estava relacionada a uma reestruturação global que envolvia diferentes áreas da companhia, incluindo vendas, fabricação e pesquisa e desenvolvimento.
Roche fechou fábrica, mas continua no país
A farmacêutica Roche é outro exemplo de redução de operações sem uma retirada completa do mercado brasileiro.
A empresa, que está presente no país desde 1931, manteve durante décadas uma unidade de produção de medicamentos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Em 2019, a companhia anunciou o fechamento da fábrica. A decisão foi relacionada à redução do volume produzido e a mudanças na estratégia global da empresa.
O encerramento da produção foi concluído em 2024, mas a Roche continua atuando comercialmente no Brasil e fornecendo medicamentos ao mercado nacional.
Topshop encerrou operação física
A marca britânica Topshop chegou ao Brasil em 2012, inicialmente com uma loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Posteriormente, a rede ampliou sua presença e chegou a ter quatro unidades no estado.
Em 2016, a última loja brasileira foi fechada, também no JK Iguatemi, encerrando a operação física da marca no país.
Naquele período, o mercado brasileiro apresentava desafios para a operação da rede, incluindo custos elevados e dificuldades relacionadas ao desempenho das lojas. A empresa, entretanto, não apresentou uma justificativa detalhada para a saída.
Por que marcas estrangeiras deixam o Brasil?
Os diferentes casos mostram que não existe uma única explicação para a saída ou redução de operações de empresas estrangeiras no Brasil.
Em algumas situações, a decisão está relacionada a uma estratégia internacional da companhia. Em outras, fatores como custos, concorrência, queda nas vendas, escala de operação e condições econômicas pesam na decisão.
Também é necessário diferenciar o encerramento completo das atividades de uma marca de uma redução de sua presença no país. Empresas como Ford, Mercedes-Benz, Sony e Roche, por exemplo, encerraram determinadas operações, mas continuam mantendo negócios no mercado brasileiro.
No caso da Häagen-Dazs, a General Mills afirma que a decisão está relacionada à reformulação de seu portfólio. A marca, que chegou ao Brasil em 1997, agora encerra também a distribuição de seus produtos, depois de quase 30 anos de presença no mercado nacional.


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