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domingo, 5 de julho de 2026
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Há 50 anos, Boca do Acre sofria a maior enchente já registrada

Para quem pensa e até tem a certeza de que a maior cheia já enfrentada pelo município foi a de 1997, não sabe o que aconteceu há exatamente meio século, quando em uma data como hoje, dia 23 de fevereiro de 1971, o município foi afetado por aquela que é registrada oficialmente como a grande enchente, quando a alagação alcançou 21,83m.

Para superar a alagação de 71, Boca do Acre ainda tem que elevar o nível das águas em 96cm, porque atualmente a cota indica 20,08m, um aumento de 13cm em 24 horas.

Relatos de pessoas que viveram naquela época, contam que era quase rotina ver todos os anos as águas dos rios invadirem a cidade, daí que não tinha tanta infraestrutura, prédios, e o quantitativo populacional talvez fosse pouco mais da metade do que é hoje, sem contar que a grande comunidade do bairro Praia do Gado estava em formação.

Foi também por conta das cheias insistentes, que houve o plano de construção do Platô do Piquiá, para retirar a população da área vulnerável e removê-la para um local seguro, sem o risco de ser afetado pela enchente.

1997

Foto tirada no Centro da Cidade, nas imediações da praça Assem Mustafa, durante a cheia de 1997. Foto: Acervo do empresário Jader Santana.

Os dados são da Agência Nacional de Águas (ANA), que também tem o registro da segunda maior cheia, que foi a famosa alagação de 1997, quando a conta máxima foi de 21,04m. A catástrofe ambiental também trouxe grandes transtornos para o município, desabrigando praticamente toda a população da parte baixa, que foi transportada para o Platô do Piquiá, onde ficaram abrigadas em escolas e barracas disponibilizadas pelo Exército Brasileiro.

Quem viveu esse fato histórico, conta que as águas começaram a subir, e no dia 25 de fevereiro atingiu a cota de transbordamento. Os relatos são de que naquele ano, a cheia foi ininterrupta por mais de 40 dias, com chuva praticamente todos os dias, e uma elevação do nível de forma contínua.

Somente no começo do mês de abril, houve sinal de vazante. Quando a água descobriu, ficou visível também o tamanho do estrago. Montanhas de areia no meio das ruas, desmoronamento de vias importantes, casas e hotéis sendo tragados pelas águas, e uma série de outros acontecimentos que ficaram marcados na vida do bocacrense.

2012

No bairro Praia do Gado, fila de pessoas afetadas pela cheia de 2012 para pegar cesta básica. Foto: Agostinho Alves.

No ano de 2012, quando o povo Maia afirmava que seria o fim do mundo, a população de Boca do Acre quase acreditou que tudo se acabaria em água. Pelo que se tem registro, foi a terceira maior cheia, com a cota de 20,54m, mas nessa ocasião, o município, ou pelo menos os munícipes, já estavam preparados, pois as residências, em grande parte já tinham aderido à tecnologia de levantamento, sendo erguidas do solo o suficiente para deixá-las acima da cota máxima da alagação de 1997.

14 e 15

Repórter Caco Barcelos durante a cheia de 2015 em Boca do Acre. Foto: Divulgação.

Em 2014 e 2015 o município enfrentou o mesmo evento natural de forma contínua. Em 14, a medição apontou para a cota máxima de 19,48m e em 2015 a régua linimétrica indicou o alcance de 20,38.

Foi em 2015 que Boca do Acre recebeu o repórter da Rede Globo, Caco Barcelos, que gravou uma reportagem para o Profissão Repórter, que faria o mesmo trabalho pela segunda vez, depois de ter vindo ao município, registrar a enchente de 2012, mas naquela ocasião, o responsável por fazer o registro foi Caio Cavechini.

Ranking

Abaixo, você pode conferir o ranking das maiores cheias já registradas oficialmente em Boca do Acre:

1971 – 21,83

1997 – 21,04

2012 – 20,54

2014 – 19,48

2015 – 20,38

2021 – 20,08