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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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Grupo de Corrida Anjos do Asfalto
realiza eventos para o público autista

O número de autistas diagnosticados tem aumentado cada vez mais devido a ampliação das informações sobre o assunto, e juntamente disso, novas instituições focadas no apoio desse público surgem. Uma delas é o Instituto Águia Azul, focado em realizar eventos beneficentes para a comunidade autista, seja através da arrecadação de recursos para auxiliar as pessoas necessitadas do grupo, seja por meio da informação.

A próxima ação a ser realizada pelos Anjos do Asfalto, subdivisão das águias, é uma corrida beneficente, com a participação de 27 crianças autistas de cinco a 15 anos, além de diversos corredores amadores. O evento irá ocorrer no dia três de abril, no estacionamento do estádio Arena da Floresta, às 7h da manhã.

A fundadora e presidente do Instituto, e do Grupo de Corrida Anjos do Asfalto – Corredores com um Propósito, que faz parte do Águia Azul, Sara Moreira, falou um pouco sobre o projeto como um todo, e também sobre o evento.

“A corrida me tirou da depressão, através dela, do esporte, eu me curei. Comecei a realizar corridas, até que em um momento, em março de 2020, fiz uma blusa, escrito ‘mãe de autista’, por causa do meu filho, aí fiz uma corrida, sozinha, de 10km, pra tentar inspirar outras mães. A partir disso, em 2021, realizei, juntamente com o grupo de pais de autistas, e também seus filhos que corriam, outras corridas, com o intuito de realizar uma arrecadação para ajudar parte da comunidade que não tem condições.”, conta Sara, ao relembrar o início do grupo, que surgiu em um aplicativo de mensagens em 20 de abril de 2020.

A presidente do Instituto afirma que, na tentativa de alcançar mais pessoas, entrou em contato com Heloneida da Gama, Presidente da Associação Família Azul, para chegar a mais pessoas, e assim conseguir realizar a corrida. Além disso, a data marca, extraoficialmente, o lançamento do projeto, já que este será o primeiro evento realizado por eles.

Outros projetos das águias já estão sendo organizados, como por exemplo o Ponto Azul, que serão locais de arrecadação espalhados pela cidade, a fim de conseguir suprimentos para famílias que têm integrantes autistas.

“A corrida também serviria para arrecadação, mas houve um problema na hora da criação do formulário de inscrição. Já o Ponto Azul, não será uma prática pontual, será uma campanha constante, que vamos ter ajuda de vários parceiros, como os supermercados Araújo, que disponibilizaram um espaço para colocarmos nossa caixa de doações lá.”, conta ela, quando relata sobre as ações futuras, direcionadas a pessoas carentes. Outro evento que já está sendo realizado por eles, é um momento de lazer, que também ocorre na arena da floresta, todos os sábados, às 17h, tanto para as crianças, quanto para os pais.

Sobre o evento em si, Sara diz que haverá corridas para as crianças inscritas, sendo divididas em algumas categorias, a depender da idade do competidor. “De cinco a oito anos, o trajeto será de 500m, já de 9 a 15, a distância será de 1,2Km, realizando a volta no estacionamento do estádio. Enquanto isso, os adultos participarão da prova de 5km.”, explica ela. Além disso, quem ficar entre os cinco primeiros lugares de cada modalidade, receberá um prêmio simbólico, além da distribuição de medalhas para todos os participantes.

O evento contará com 200 competidores, sendo 27 crianças autistas, e 173 atletas amadores. Para atender as crianças, após as suas devidas competições, diversos voluntários estarão presentes, juntamente com professores de educação física, que irão realizar atividades com os menores.

Ela ainda comenta, rapidamente, sobre a falta de suporte dada pelo governo do estado, para a população dentro do espectro. “Falta mais investimento nessa área né, recursos pra todos os níveis de atendimento. Trazer profissionais capacitados, aumentar o espaço e a quantidade de pessoas que podem ser atendidas é necessário.”, disse Sara, de maneira sucinta.

Após isso, Heloneida comenta que, apesar da falta de assistência dos órgãos governamentais, o importante é conseguir tornar a população sensível a este grupo, que precisa sim de cada vez mais atenção. “A responsabilidade é do governo, mas infelizmente, como a gente não tem esse suporte, precisamos recorrer às pessoas, precisamos conscientizar a população sobre a existência desse público”, explicou a presidente da Família Azul. Ela afirmou que já procurou ajuda do Ministério Público, e que o órgão está discutindo o problema.

Além disso, ambas dizem que a aceitação, entendimento, e apoio, tanto dos pais, quanto das pessoas ao redor, é um dos principais fatores para um desenvolvimento saudável de pessoas dentro do espectro autista. “Eles são crianças, como as outras, com suas pequenas especificidades, como todos têm, que alguns precisam de um suporte, e outros de outros”, comentam elas.

Heloneida também faz ressalvas sobre o público mais velho, e revela que já houveram tentativas de realizar eventos voltados para autistas adolescentes e adultos. “Os adultos estão começando a se aceitar mais, apenas agora. Tentamos montar projetos, integrar as pessoas de melhor maneira, levar no shopping por exemplo. Tem muitos casos de pessoas que enfrentaram problemas a vida inteira, e só na fase adulta descobre que é autista, mas houve uma falta de adesão à ideia.”, revela ela.

Elas destacam também, que a melhor maneira de lidar com pessoas dentro da comunidade, quando mais velhos, é sempre tentar uma conversa franca, procurando entender melhor as especificidades de cada um, além de explicar os gostos e dificuldades, que muitas vezes são sem razão aparente.

Por fim, Sara convida as pessoas para conhecerem o projeto, no evento que ocorrerá no início do próximo mês. “Venham conhecer o nosso trabalho, não importa se você faz parte do espectro ou não. Se seu filho, ou você, está incluso, é uma maneira de ter contato com outras pessoas e experiências, e caso você não faça parte, é uma chance de conhecer mais esse universo, e a partir disso começar a apoiá-los da melhor maneira possível.”