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terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Governo identifica 48 contas com mais de R$ 500 mil em bets e pode abrir investigações

O governo federal identificou 48 contas de apostadores com saldo superior a R$ 500 mil em plataformas de apostas de quota fixa. Os valores serão submetidos a uma análise detalhada porque, segundo o Ministério da Fazenda, destoam do padrão observado na maior parte das contas que ainda tinham dinheiro nas bets.

A informação foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante o balanço das ações de fiscalização realizadas após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país.

Contas poderão ser encaminhadas para investigação

Segundo Durigan, a existência de um saldo elevado não significa, por si só, que tenha ocorrido alguma irregularidade. O que chamou a atenção do governo foi a diferença entre essas contas e o perfil predominante dos apostadores que mantinham recursos nas plataformas.

O ministro afirmou que movimentações consideradas discrepantes poderão ser encaminhadas às autoridades competentes para análise. A fiscalização pretende identificar a origem e a circulação dos recursos e verificar eventuais relações com atividades financeiras irregulares.

O governo também informou que, quando identifica a empresa responsável por uma plataforma irregular e as instituições financeiras utilizadas nas operações, pode determinar o bloqueio dos recursos. Após os procedimentos administrativos, valores eventualmente relacionados a irregularidades podem ter destinação prevista pela legislação.

PF terá estrutura específica para combater lavagem de dinheiro

A fiscalização das bets ocorre paralelamente à criação de uma estrutura permanente na Polícia Federal para reforçar o combate à lavagem de dinheiro e à recuperação de ativos.

O Decreto nº 13.131/2026, publicado em 1º de outubro, criou a Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos. A nova unidade reúne áreas de inteligência financeira, investigação patrimonial, recuperação de bens e repressão à lavagem de dinheiro.

Dentro da estrutura, haverá divisões específicas para apostas ilegais e manipulação de resultados esportivos. A atuação também deverá acompanhar o fluxo financeiro relacionado às bets, inclusive em situações que possam envolver organizações criminosas ou lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas.

R$ 1,33 bilhão ainda está nas plataformas

Mesmo após o encerramento do prazo para retirada voluntária, os apostadores ainda têm cerca de R$ 1,33 bilhão a receber das plataformas. O dinheiro está distribuído entre milhões de CPFs que permaneciam com saldo positivo.

O volume de recursos mantidos nas plataformas caiu 30,99% desde 26 de setembro, uma redução de R$ 652,6 milhões. Antes da entrada em vigor da medida, segundo o Ministério da Fazenda, cerca de R$ 600 milhões eram movimentados diariamente em transferências para casas de apostas.

Como será a devolução do dinheiro

O prazo para que os apostadores retirassem voluntariamente os valores terminou às 23h59 de segunda-feira (5). A partir desta terça-feira (6), as plataformas afetadas deixam de operar conforme o cronograma estabelecido pelo governo.

Quem não conseguiu retirar o dinheiro dentro do prazo não perde automaticamente o saldo. As empresas deverão informar às instituições financeiras os valores restantes, individualizados por CPF, para que seja feita a devolução.

Entre 7 e 8 de outubro, as empresas deverão enviar essas informações aos bancos. De 9 a 14 de outubro, as instituições financeiras deverão realizar a devolução aos apostadores. Caso exista algum impedimento para o pagamento, os valores poderão ser transferidos para a Caixa Econômica Federal, que ficará responsável pela restituição.

O Ministério da Fazenda reforçou que os recursos continuam pertencendo aos apostadores mesmo após o encerramento das plataformas.

Mais de 10 mil sites ilegais foram encaminhados para bloqueio

A operação contra as bets também avançou sobre plataformas que funcionavam sem autorização. Entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 sites ilegais foram encaminhados para bloqueio pela força-tarefa formada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério da Fazenda.

No mesmo período, foram solicitadas medidas para retirar 3.040 páginas, perfis, canais, grupos e servidores usados para divulgar apostas irregulares. O levantamento inclui 1.974 páginas no Facebook, 375 perfis no Instagram, 605 conteúdos no Telegram, 85 perfis no TikTok e um servidor no Discord.

O governo informou ainda que 186 aplicativos disponíveis nas lojas da Apple e do Google foram notificados para retirada. Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord também receberam notificações relacionadas à publicidade de bets.

A ofensiva faz parte do processo de implementação da MP nº 1.394/2026, que determinou o encerramento das operações de apostas de quota fixa no país e estabeleceu medidas para bloquear plataformas irregulares e devolver os recursos mantidos pelos usuários.