Rio Branco
28°C
terça-feira, 7 de julho de 2026
11:45

Governo descarta intervenção federal e anuncia reforço na Segurança Pública


REPÓRTER OPINIÃO


O secretário adjunto de Justiça e Segurança Pública do Acre, em exercício, Ricardo Brandão, em entrevista coletiva na manhã de ontem, 20, garantiu que a pasta tem realizado diversas ações a fim de coibir o crescimento da violência no Acre.


Como exemplo, citou a maior presença das forças policiais nas ruas e rodovias que cortam o Acre, por meio da operação Fecha Fronteiras, e redução de 25% nos índices de crimes contra a vida em 2019, uma das maiores quedas registradas entre todas as unidades da federação.


As afirmações de Brandão ocorreram após um final de semana sangrento no Acre. Com a chacina ocorrida no último sábado, 18, subiu para 30 o número de pessoas assassinadas nos 18 primeiros dias de 2020.

Esse número torna-se ainda mais assustador quando comparado as mortes violentas em janeiro do ano passado. De acordo com índice nacional de homicídios, que faz parte do Monitor da Violência, em janeiro de 2019, 32 mortes violentas foram registradas.

Além disso, na madrugada de segunda-feira, 20, 26 detentos fugiram do pavilhão L, do Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde.


Gabinete de crise
O coronel anunciou que será criado um gabinete para gerenciar os casos de violência e as operações que estão sendo realizadas no estado.


“Constituímos um grupo de comando e controle da Segurança Pública. Além de uma integração mais forte do grupo de Inteligência da Secretaria de Segurança, Polícias Civil, Militar e o Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado], para que a gente busque essas informações. A ideia é ter o maior número de dados e informações possíveis para subsidiar o processo de decisões do governo do estado e da Segurança”, disse o secretário.


Com relação à chacina, o militar disse que as policiais do Estado já estão na busca dos suspeitos. “A força-tarefa que vem sendo realizada, tenta, a todo custo, impedir a matança entre duas organizações criminosas distintas”, disse ao pontuar ainda que “a polícia conseguiu deter reações adversas após a execução das sete pessoas na Transacreana”.


Já a respeito da fuga no presídio, Brandão frisou que a lém das polícias Militar e Penal, a operação para capturar os foragidos conta com apoio da Polícia Rodoviária Federal do Acre e militares do 4º BIS do Exército Brasileiro. As barreiras policiais foram reforçadas em todo o estado, inclusive outras foram montadas em Rondônia e o Amazonas. Também está ocorrendo revistas em todos os presídios do estado.


Disse ainda que não descarta uma possível ligação entre a fuga na FOC e o caso dos 76 detentos que fugiram de um presídio no Paraguai, no domingo, 19. “Neste momento, nós não descartamos nada. Daí o motivo pelo qual todo o aparato da Segurança Pública está mobilizado”, disse.


Os presos que fugiram da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, que fica na fronteira com a cidade brasileira de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) são integrantes da facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles deixaram a unidade por um túnel.


“Justamente com essa preocupação foi que a gente buscou apoio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) como também buscamos apoio do Centro Integrado de Inteligência Regional para avaliar se há correlação da fuga do estado do Acre com a fuga no Paraguai. Neste momento, nós não descartamos nada. Daí o motivo pelo qual todo o aparato da Segurança Pública está mobilizado”, afirmou o secretário.


Essa foi a segunda fuga do Complexo Penitenciário de Rio Branco em uma semana. No último dia 13 de janeiro, quatro detentos fugiram da unidade após fazerem um buraco na cela 8 do Pavilhão P. A fuga só foi percebida no momento da contagem de presos.


Dos 26 detentos fugiram do pavilhão L, apenas Adalcimar Oliveira de Almeida foi recapturado. Para recapturar os demais presos, a secretaria de segurança pública do Acre pediu reforço e auxílio das secretarias dos estados do Amazonas e Rondônia, a fim de evitar que os fugitivos possam buscar abrigos nos estados vizinhos. “Esses estados estão mobilizados para auxiliar o Acre nessa situação”, disse Brandão.


Nos próximos dias, segundo Brandão, todos os presídios e unidades socioeducativas passarão por uma rigorosa inspeção em suas estruturas. Assim como a revista de todos os detentos que estão no sistema penitenciário. A principal finalidade é encontrar materiais ilícitos e identificar locais vulneráveis à possibilidade de novas fugas.


Apoio da população com denúncias
O secretário de Estado da Casa Civil, Ribamar Trindade, também presente na coletiva, salientou que “o Sistema de Segurança está preparado para combater o crime e o Governo do Estado vai dar o apoio necessário para que a ordem seja mantida e que todos sintam-se seguros.”


A participação da população é fundamental para auxiliar as forças policiais com informações privilegiadas. Por meio do número 181, qualquer cidadão pode contribuir com a localização de criminosos, armas ou situações suspeitas. A ligação é gratuita e sigilosa.


“O envolvimento da população neste momento é de grande importância para a Segurança Pública e para ela mesma. Se você sabe onde tem algum suspeito, ou sabe onde tem uma arma, ligue para o 181 e você não terá sua identidade revelada. O sigilo é total”, frisou Ricardo Brandão.


Intervenção federal
Durante a coletiva, foi lembrada a comoção nas redes sociais por uma intervenção do governo federal para com a questão da violência no Acre. Para o Coronel, pode estar havendo uma ‘politização da segurança pública’.


“O Acre, por meio do governado Gladson Cameli, por duas oportunidades, se reuniu, inclusive com o presidente Jair Bolsonaro, para pedir mais efetivo da polícia federal, polícia rodoviária federal e até o Exército brasileiro para nos ajudar no controle de nossas fronteiras”. De acordo com os representantes, o Acre ainda aguarda ter o pedido atendido.
Disse mais: “Mais uma vez o governador vai oficializar junto à União nesse sentido. Não é através da intervenção federal, mas do apoio do governo através dessas instituições”. Esta, segundo o governo, será a terceira vez que Gladson pedirá apoio de órgãos federais para atuarem de maneira mais eficiente no estado.


Toque de recolher
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), por meio de nota, negou o boato de um suposto “toque de recolher” por parte das facções criminosas em Rio Branco. Os rumores começaram a circular nas redes sociais após a coletiva de imprensa.


“Pedimos a colaboração de toda sociedade acreana para desconstruirmos informações que estão circulando nos grupos de Whatsapp, sobre um suposto toque de recolher”, diz a nota.


Na continuação, o órgão também declarou que as forças policiais estão atuando nas ruas para garantir segurança à população. “As forças de segurança estão nas ruas para resguardar a segurança da população e prevenir ações criminosas. Colabore com o trabalho das Polícias”, finalizou.